Política

Advocacia do Senado pede prisão preventiva de Ciro Gomes por violência política de gênero

O processo é em defesa da atual prefeita de Crateús (CE), Janaína Farias (PT), alvo de declarações reiteradas de Ciro


Reprodução Advocacia do Senado pede prisão preventiva de Ciro Gomes  por violência política de gênero
Janaína Farias e Ciro Gomes

A Advocacia do Senado Federal protocolou pedido de prisão preventiva contra o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), no âmbito da ação penal eleitoral movida pelo Ministério Público Eleitoral por violência política de gênero. O processo é em defesa da atual prefeita de Crateús (CE), Janaína Farias (PT), alvo de declarações reiteradas de Ciro.

No pedido, protocolado na última quinta-feira (4), a defesa sustenta que o ex-ministro continua a praticar ofensas contra a vítima, citando postagens recentes em redes sociais. “A existência de ação penal não foi suficiente para desestimular o réu, que prossegue em sua senda delituosa contra a mulher”, afirma o documento, que pede medidas cautelares ou, em último caso, a prisão preventiva.

Entre as medidas alternativas solicitadas, estão a proibição de contato de Ciro Gomes com a prefeita, o impedimento de aproximação a menos de 500 metros, a vedação de novas ofensas públicas e o comparecimento periódico em juízo por 90 dias. Segundo a defesa, a reincidência das agressões e a influência política do réu configuram risco à ordem pública e justificam a adoção de providências rigorosas.

Em nota, Janaína Farias declarou que a conduta de Ciro se enquadra em violência política de gênero e lembrou que ele já foi condenado por esse motivo, sendo reincidente. “Confio na Justiça, que agirá de forma célere e rigorosa, para não estimular mais impunidade”, afirmou a prefeita.

As ofensas mais recentes ocorreram durante o aniversário do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, em Capistrano (CE). Sem citar nominalmente a prefeita, Ciro acusou-a de recrutar mulheres para “serviços sexuais” quando era assessora do então governador Camilo Santana (PT). “A pessoa que recrutava moças pobres, de boa aparência, para fazer o serviço sexual sujo de Camilo Santana... virou senadora do Ceará. Agora é prefeita num município. É para eu encarar? Eu vou encarar”, disse o pedetista.

As primeiras declarações de Ciro contra Janaína datam de 2023, quando ela assumiu interinamente o mandato de senadora. Na ocasião, ele a chamou de “cortesã”, “assessora para assuntos de cama” e “organizadora de farras”, sendo condenado a pagar indenização de R$ 52 mil.

O novo pedido de prisão preventiva aguarda análise do juiz da 115ª Zona Eleitoral.

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