José Salan Barbosa Melo

A revolução da educação no Piauí: o estado começa a colher os frutos

O governador Rafael Fonteles vem chamando a atenção para a necessidade do ensino de nível médio ter também a opção da formação técnica, sem abrir mão da qualificação para a participação no ENEM


Reprodução A revolução da educação no Piauí: o estado começa a colher os frutos
Camila Teles, de 17 anos, aluna do Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Paulistana

Por José Salan Barbosa Melo – Engenheiro, Ex Presidente da Eletrobras Piauí

“Um país se faz com homens e livros,” esta frase do consagrado escritor brasileiro Monteiro Lobato pronunciada em 1955 é muito conhecida e repetida até hoje.

Trazendo para nossos dias, podemos dizer que um país se faz com pessoas e conhecimentos, pois o que Lobato quis dizer, na época, era que a educação é basilar na formação e no desenvolvimento de um país.

A vulnerabilidade social e material de um povo, de uma região ou de um país está ligada diretamente à sua pobreza educacional. Quanto menos educação, mais pobre, mais atrasada, mais manipulável é uma população.

A explosão econômica e desenvolvimentista que vem acontecendo nas últimas décadas em diversos países da Ásia está diretamente relacionada à importância e à prioridade que esses países deram à educação e serve muito bem como exemplo para nós, principalmente se observarmos a situação em que eles se encontravam antes de fazerem esta opção.

O Japão é um país que foi devastado na segunda guerra mundial e tudo indicava, na época, que levaria dezenas de anos para se reconstruir ou que dificilmente se reconstruiria. Não só se reconstruiu rapidamente  como despontou como um dos países mais desenvolvidos já nas décadas de 1970 e 1980. Ou seja, se tornou o precursor de um importante modelo de desenvolvimento, que tem como motor a educação. O “milagre econômico japonês” levou o país à vanguarda do desenvolvimento econômico e tecnológico.

O Japão apostou na qualificação técnica e científica de seus jovens, a partir de sua educação, e foi acompanhado pelos chamados tigres asiáticos, Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura, que deram seu salto de desenvolvimento entre as décadas de 1960 a 1990. Na China, essa mesma virada aconteceu depois da década de 1990.

Cada um desses países tem um sistema político completamente diferente dos demais, mas todos têm em comum o modelo de desenvolvimento econômico que privilegia a educação como a base fundamental e carro chefe de todas as mudanças que ocorreram: desenvolvimento econômico, tecnológico, cultural e etc.

São nações que saíram de uma situação de atraso e pobreza, muitas vezes até  piores do que a vivida pelo estado do Pìauí nas últimas décadas e despontam hoje como os mais desenvolvidos do mundo em muitas áreas, principalmente em educação e em tecnologias. O principal e mais importante resultado é que todos esses países transformaram completamente as condições de vida de suas populações.

A sábia missionária budista brasileira, conhecida como Monja Coen, costuma afirmar que “quando nós nos transformamos, nós transformamos o mundo”. Este sempre é o objetivo das revoluções, transformar o mundo. Portanto, nada mais importante para trilharmos este caminho do que primeiro nos transformarmos e assim podermos transformar nossa “aldeia”. Quando há uma guinada muito forte com melhorias na educação, o impacto positivo na sociedade é sentido rapidamente.

O Estado do Piauí está passando por uma transformação muito forte no sistema educacional da rede pública estadual de ensino médio e as mudanças que vêm sendo implementadas tiveram seu maior impulso na transformação das escolas públicas de ensino médio em escolas de tempo integral, com reformas estruturais onde cada unidade escolar recebeu um pacote de melhorias, que passa também pela ampliação e requalificação do quadro de servidores e professores e a implementação de projetos pedagógicos revolucionários, como a inclusão de Inteligência Artificial no currículo escolar; a implementação do Itinerário de aprofundamento com componentes curriculares que prepara os estudantes para ingressar no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e no IME (Instituto Militar de Engenharia); o ensino de robótica e mais uma série mudanças e melhorias  no currículo escolar. 

Na última semana foi divulgado um  vídeo aqui no Piauí em que aparece o Governador Rafael Fonteles  transbordando de emoção ao raspar a cabeça de um aluno da escola estadual, que foi aprovado no vestibular do IME, Instituto Militar de Engenharia, um dos vestibulares mais difíceis do Brasil. Um feito histórico para o ensino público do Estado do Piauí e um importante sinal do sucesso que está sendo a revolução em andamento no estado.

Este é apenas um dos muitos exemplos de feitos e conquistas importantes dos alunos do ensino médio das escolas públicas do Piauí, nos últimos meses.

O Governador, desde o início de seu mandato, resolveu apostar na educação como principal bandeira de seu governo. Um compromisso altamente desafiador, dadas as condições objetivas do estado e as dificuldades que a educação encontra no país.

Atualmente, os mais de 120 mil estudantes de ensino médio da rede estadual, participam de aulas de inteligência artificial, numa clara demonstração da importância e da sintonia do estado com o novo momento do conhecimento e de desenvolvimento tecnológico que vivemos.

Desde o início de sua gestão, o Governador Rafael Fonteles vem chamando a atenção para a necessidade do ensino de nível médio ter também a opção da formação técnica, sem abrir mão da qualificação para  a participação no ENEM, que aliás, ganhou novos estímulos em sua preparação. É como está funcionando no Estado.

A formação técnica e profissional é hoje, como sempre foi, uma demanda da classe trabalhadora. Ao contrário do que muitos pensam, isso não retira a possibilidade do jovem ingressar no ensino superior, pois um dos fatores que mais pesam para tirar a oportunidade do jovem cursar uma faculdade é exatamente a falta de condições financeiras da família para custear o filho ou a filha durante essa parte da formação. 

O curso técnico é a porta aberta para entrada do jovem no mercado de trabalho, ampliando as possibilidades para seu ingresso no ensino superior, pois ele passa a ter sua própria fonte de renda aliada a uma necessidade de ascensão profissional.

Além da melhoria no ensino curricular e extracurricular nas escolas, a Secretaria Estadual de Educação promove anualmente uma série de eventos educativos e motivacionais em que milhares de alunos se envolvem de corpo e alma.

O mais importante desses eventos é o Seduckathon, uma maratona para criações tecnológicas e  empreendedorismo que envolve os estudantes da rede pública estadual do Piauí.

Este ano, o Seduckathon teve a participação de mais de 9 mil alunos de todas as regiões do Piauí. Destes, 100 estudantes de Tecnologia da Informação  e 10 de Empreendedorismo conquistaram bolsas para intercâmbio em países como Alemanha, Coreia do Sul, China, Singapura, Portugal e Estados Unidos.

Passou a ser comum, vermos notícias de sucesso dos estudantes das escolas públicas do Piauí sendo destaques e recebendo premiações em eventos e concursos educacionais como olimpíadas, em feiras de ciências e tecnologias no Brasil e fora do país.

Só para citar mais alguns exemplos, lembramos que o Piauí foi o primeiro território das Américas a incluir a disciplina de Inteligência Artificial na grade curricular de suas escolas públicas de ensino médio, como reconheceu a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), na Semana da Aprendizagem Digital em Paris, na França, em 2024.

E em outubro de 2025 o Programa de Inteligência Artificial nas escolas estaduais, recebeu o prêmio Rei Hamad Bin Isa Al-Khalifa, Unesco em parceria com o Governo do Bahrein. O projeto do Piauí foi premiado juntamente com países como Reino Unido, Bélgica e Egito, fazendo com que o Piauí seja reconhecido como referência internacional em Educação.

Em outro importante feito, a estudante Camila Teles, de 17 anos, aluna do CETI (do Centro Estadual de Tempo Integral) de Paulistana, no interior do Piauí, venceu todas as etapas do Programa Diálogos, da Brazil Conference at Harvard & MIT, e conquistou uma vaga para representar o Nordeste e o Brasil na edição de 2026 da Conferência, em Boston (EUA). Camila concorreu com mais de seis mil alunos de todo país e foi a primeira colocada com a apresentação do cordel de sua autoria, “Do Sonho à Ação: o Brasil cabe em qualquer lugar”. Além de garantir presença na Conferência, foi premiada com acesso a cursos gratuitos oferecidos por Harvard.

Em seu lindo cordel ela diz em uma das estrofes:

“A educação é transformação,

Ferramenta pra evolução.

Se há escola de qualidade,

Há futuro, há inclusão.

Quem aprende a se empoderar,

Faz seu mundo se transformar”.

Neste verso vemos uma palavra mágica que significa muito para os jovens. Nela estão embutidos seus desejos e seus sonhos, que é empoderar.

É de se perguntar, como um jovem se empodera, qual a fonte de onde vem esse poder sonhado? É nessa resposta que mora o perigo. Se ele entender que o empoderamento vem da força das armas, do dinheiro fácil, da ostentação, da violência ou do crime é o pior dos mundos para todos nós. Por outro lado, quando há uma compreensão de que o empoderamento vem do conhecimento e do saber, através da educação, está feito o milagre.

Esta é a encruzilhada que separa os destinos de muitos jovens, o destino de suas famílias e claro, de toda a sociedade.  A educação é quem traça o “mapa do caminho” para paz  social e para um futuro promissor.

Já é possível sentir que esta cultura está sendo plantada, com raízes muito profundas aqui no Piauí.


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