Uma voz contra a "República de Curitiba"

Uma voz contra a "República de Curitiba"

Foto: google imagemGilmar Mendes
Gilmar Mendes

"Estava gerando o ovo da serpente", diz Gilmar Mendes

Em entrevista à TV Folha e ao portal UOL neste domingo, 15, na inauguração do estúdio das emissoras em Brasília, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, falou sobre a CPI da Lava Toga, que ele considera inconstitucional; sobre os "méritos" e "crimes" cometidos pela Operação Lava Jato; e sobre a julgamento do STF que pode conceder a liberdade do ex-presidente Lula entre outubro e novembro deste ano.

Gilmar Mendes lembrou que no ano passado comemoramos 30 anos de normalidade institucional no Brasil. "Devemos fortalecer a democracia e criticar fortemente aqueles que de alguma forma, por discursos ou práticas, a ameaçam", declarou. E fez um alerta: "muita gente não sabe o que foi a ditadura. Clamar pela reinstauração do regime militar é um crime contra a democracia e contra a própria segurança nacional".

O ministro definiu a mídia como co-autora dos maus-feito na política brasileira. E disse que o Judiciário bebeu tanto que se embreagou. "Vamos encerrar o ciclos dos falsos heróis. (...) Democracia tem que ser uma democracia crítica", pontuou.

Gilmar apontou na entrevista uma saída no mínimo "honrosa" para Moro, Dalagnol, Janot e outros de fazerem uma accontability e simplesmente dizer "erramos, fomos crápulas, cometemos crimes querendo combater o crime, cometemos erros crassos, violamos o estado de direito e depois sair de cena".

O ministro ressaltou o papel educativo da mída e, aos tribunais, a defesa da pedagogia dos direitos fundamentais. "Precisamos reinstitucionalizar o Brasil".

Sobre o uso ou não das mensagens divulgadas pelo portal Intercept no processo de Lula, o ministro observou que há precedentes sobre o uso da prova ilícita em benefício do réu. "É um debate que certamente vamos ter na turma se chegarmos a esse ponto" , declarou ele, observando que quem defendia o uso de provas ilícitas - "até ontem" - eram os "lavajatistas".

Gilmar reconhece que falharam os órgãos de correição e que havia um jogo de promiscuidades que não estava sendo acompanhado. "Tempos de vertigem, de mudanças", define e faz sua defesa ao estado de direito.