“Tempo encerrado para mim”: jornalista morre e deixa linda carta de despedida

Ela morreu ontem no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo

Foto: G1Liana John
Liana John

 

DCM - A jornalista ambiental de longa e premiada carreira, Liana John, morreu ontem no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Responsável pela editoria de Ciência e Meio Ambiente da Agência Estado, era muito atuante na luta pela inclusão das pessoas com deficiência.

Liana tinha um câncer de pâncreas há seis anos. Deixou uma carta de despedida em suas redes socias, postada pelos familiares, de uma grandeza filosófica, que nos remete a um tempo de delicadeza perdido.

Ei-la:

Caríssimos amigos, de longa data ou recentes, de abraçar demoradamente ou só trocar breves mensagens virtuais;

Queridos familiares, distantes ou presentes; Estimados parceiros da luta pela inclusão;

Eternos companheiros de jornalismo, de fotografia, de viagem e das mais diversas jornadas:

Isto é uma despedida.

Boa parte de vocês sabe que eu batalhava contra um câncer de pâncreas desde novembro de 2015. Passei por cirurgias, quimios e outros procedimentos, alguns mais, outros menos debilitantes. Mas tive a sorte de viver longos intervalos sem dor, com o pé na estrada, voando pelo mundo, na companhia do meu grande amor e companheiro, Edu, e com meus filhos amados: Tiago, Íris, Melissa e Daniel.

Agora, infelizmente, o câncer venceu. Tempo encerrado para mim.

Não levo ressentimentos, nem arrependimentos. Estava previsto, pude usar os eventuais prorrogamentos para me preparar. Sigo leve meu destino. Vivi intensamente, amei muito, tive quatro filhos lindos, um netinho encantador (que lamento não ver crescer). Estudei, li, aprendi, trabalhei no que quis, como pude, tive oportunidades maravilhosas, fiz alguma diferença e deixei alguns rastros em nossa história comum. Acho eu.

Não queria ir embora sem agradecer a todos. Com vocês dividi alegrias, preocupações, aspirações, conhecimento, muito suor, tristezas, sonhos, imagens, frustrações, desejos recorrentes ou passageiros, maluquices, bobagens gostosas. Tudo isso é vida e minha vida foi plena disso tudo.

Sou muito grata por fazer parte de suas lembranças. Vocês são a maior riqueza do meu coração!

E, se houver alguma consciência do outro lado, estarei lá, olhando por todos, com saudades imensas!

Beijo grande, Liana John