Poderosos Pedófilos: “Cidadãos de bem” que exploram e roubam a infância no Brasil

É o nome do livro que o jornalista Amaury Ribeiro Jr esta lançando

Foto: Revista Fórum

Capa do Livro

Fonte: Revista Fórum  

O Brasil ficou chocado com o caso da menina de dez anos que era violentada pelo tio desde os seis anos, que ganhou ainda mais repercussão porque a criança quase não conseguiu ter o seu direito ao aborto legal. Infelizmente o abuso de crianças, principalmente meninas, é uma realidade no Brasil. E isso ocorre há muitos anos. Em 1997, o jornalista Amaury Ribeiro Jr estava na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru, junto com uma equipe da Funai (Fundação Nacional do Índio). Ele faria uma reportagem sobre os índios, quando ouviu que existia na região “Disneylândia do Sexo”. “Na folga, vou para as ‘Disneylândia’ em Manaus. As meninas não têm nem pelinho e se vendem apenas por um lanchinho”, dizia um dos funcionários da fundação

Vinte anos depois e após diversas idas à região e reportagens na TV sobre a rede de prostituição infantil, o jornalista acaba de lançar o livro Poderosos Pedófilos: “Cidadãos de bem” que exploram e roubam a infância no Brasil, pela Matrix Editora. Amaury traz na obra casos que ocorreram na região Amazônica, onde crianças pobres, órfãs, com famílias desestruturadas, são vendidas, às vezes pelos próprios pais ou tutores, ao mercado do sexo. Mas, mais do que isso, ele “busca traçar o perfil dos pedófilos, que praticam seus crimes por meio da truculência e do abuso do poder econômico. Sempre gentis, esses sociopatas se apresentam às vítimas disfarçados de cordeiros”.

Em entrevista a Fórum, Amaury diz que “tentaram acusar os movimentos de esquerda de serem pedófilos, mas o livro mostra totalmente o contrário”. Segundo o jornalista, “todos os poderosos pedófilos estão com nome, são juízes, procuradores, policiais corruptos, e a maioria apoiador de Bolsonaro. Eles têm um discurso moralista, defendem os bons costumes, tradição, família e propriedade, tem ódio ao movimento feminista, tem ódio de negro. São hipócritas e sem escrúpulos”.

Um dos casos presentes na obra é o do empresário Fabian Neves dos Santos, preso em um motel de Manaus, em 2018, com uma adolescente de 13 anos, que fora “vendida” por uma tia. “Fabian é o arquétipo de parte de uma elite que se mostra publicamente moralista nos costumes e retrógrada no combate à violação dos direitos humanos”, revela. “Conhecido por sua obsessão pela liberação do porte de armas, Fabian Neves dos Santos, dono de uma empresa de segurança em Manaus, a Forte Vigilância Privada (Fortevip), se apresentava nas redes sociais durante a campanha das eleições de 2018 como um dos defensores mais radicais da candidatura a presidente de Jair Bolsonaro.” Ele está preso e aguarda julgamento no Centro de Detenção Provisória de Manaus.   

Outro caso é o do ex-procurador-geral de Justiça de Roraima Luciano Queiroz, que cumpre pena no quartel da Polícia Militar por estupro de vulnerável e exploração sexual de crianças e adolescentes. De acordo com a reportagem, “das garras do poderoso homem da Justiça não escapavam nem mesmo meninas de 6 anos de idade”. Nos corredores Palácio do Governo de Roraima, ele dizia: “Índio bom pra mim é índio morto”. Como diz Amaury no início da obra, as histórias relatadas causam espanto e terror.

O Código Penal considera crime a relação sexual ou ato libidinoso (todo ato de satisfação do desejo ou apetite sexual da pessoa) praticado por adulto com criança ou adolescente menor de 14 anos. De acordo com o Estatuto da Criança é crime, inclusive, o ato de “adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2018, foram registrados mais de 32 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. De 0 a 9 anos, 75% das vítimas são meninas. De 10 a 19, as vítimas meninas somam 92%. As agressões (entenda-se por “estupro”) ocorrem prioritariamente em casa e perpetradas pelo pai, padrasto ou um conhecido da família. Uma média de 3 agressões por hora.