O que está acontecendo em Cuba?
Uma série de protestos se espalhou por algumas cidades cubanas neste final de semana
Por Gilberto Maringoni, professor, no facebook
Uma série de protestos se espalhou por algumas cidades cubanas neste final de semana. A situação da Ilha piorou muito nos últimos meses, com a paralisação do turismo e avanço do coronavírus. A instatisfação cresceu, com falta de alimentos e escassez energética. Mas manifestações concomitantes em várias cidades, sem reivindicação definida, levantam suspeitas de intervenção norteamericana.
O país é desafiado pela confluência de três abalos sérios. São eles a retração de quase 30% do fornecimento de petróleo em condições vantajosas por parte da Venezuela desde 2015, do cerco econômico imposto por Donald Trump – e continuado por Biden – e por mais de um ano de pandemia, que desestruturou o turismo.
A situação só encontra paralelo no “período especial”, logo após o desmonte do socialismo do Leste Europeu. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina, o PIB encolheu 8,5% em 2020. Para o Banco Mundial, a retração foi maior, 11%.
A restrição no fornecimento de petróleo acarreta a redução da geração de energia num país movido a termelétricas, e implica limitações no funcionamento da economia. Num efeito cascata, a oferta de alimentos e gêneros de primeira necessidade fica comprometida.
O cerco estadunidense, por sua vez, foi endurecido em junho de 2017, no início do governo Trump. O republicano regrediu várias casas na política de aproximação empreendida por Barack Obama a partir de fevereiro de 2014. No fim do mandato, Trump anunciou 191 novas medidas restritivas.
Um dos efeitos mais evidentes da retaliação de Washington é a desvalorização da moeda nacional e a aceleração da inflação. Um país escassamente industrializado e dependente da entrada de divisas não tem muitas margens de manobra.
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