Justiça solta acusado de ajudar na fuga de Lázaro Barbosa

O fazendeiro deixou o presídio de Águas Lindas (GO), na noite dessa sexta-feira (16/7)

Foto: DivulgaçãoLázaro e Elmi
Lázaro e Elmi

 

A Justiça revogou a prisão preventiva do chacareiro Elmi Caetano Evangelista, 73 anos. Ele foi detido acusado de auxiliar na fuga de Lázaro Barbosa, 32, o criminoso que matou uma família moradora de Ceilândia, no Distrito Federal, e fez outras vítimas. 

Advogado de Elmi, Ivan Barbosa disse que o fazendeiro deixou o presídio de Águas Lindas (GO), na noite dessa sexta-feira (16/7). “O juízo revogou a prisão e aplicou medidas cautelares”, afirmou ele 

Denúncia do MP

No último dia 7, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) recebeu a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO) contra o chacareiro por supostamente ajudar Lázaro Barbosa.

Com isso, Elmi Caetano tornou-se réu, com a acusação de ter cometido os crimes de favorecimento pessoal, posse irregular de arma de fogo de uso permitido, e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Na ocasião, a juíza Luciana Oliveira, da Comarca de Cocalzinho de Goiás, também indeferiu o pedido de revogação da prisão preventiva de Elmi Caetano, que estava detido desde o dia 24 de junho.

Relato

O caseiro Alain Reis de Santana, que foi preso e solto logo depois, revelou à polícia que Elmi ajudou o maníaco na fuga. O patrão teria permitido que o foragido passasse as noites na sede da chácara e o alimentava há dias. Elmi teria deixado as portas do local destrancadas, como se esperasse por Lázaro.

No dia 24 de junho, por volta das 6h30, Alain chegou para trabalhar de bicicleta e encontrou o patrão, Elmi, e o filho Gabriel. O caseiro afirma que foi mandado para o córrego, com a informação de que a bomba estaria estragada, mas não havia nada de errado com o equipamento. Para o empregado, a ordem serviu para afastá-lo da sede da chácara.

No mesmo dia, Alain viu Lázaro entrar correndo na casa para se refugiar em um quarto, mas, antes, fez um sinal para que o funcionário deixasse o local. O caseiro encontrou policiais na propriedade e, por ter sido ameaçado de morte pelo foragido, negou que o criminoso estivesse na chácara. Depois que os agentes foram embora e, em seguida, um helicóptero sobrevoou a chácara, o foragido saiu do cômodo e foi até o córrego onde costumava se esconder.

Na decisão proferida nessa sexta, a juíza Luciana Oliveira de Almeida Maia da Silveira entendeu não haver perigo na soltura de Elmi. “O réu está preso preventivamente desde 25 de junho de 2021, por força de decisão proferida por este juízo na audiência de custódia, porquanto, naquela oportunidade, vislumbrou-se a necessidade de garantir a ordem pública, em razão da gravidade concreta dos fatos em tese praticados. No entanto, no presente momento, tenho que não persiste o perigo gerado pelo estado de liberdade”, disse.

“Como bem ponderou a defesa, finda a investigação, foi constatada a inaptidão das armas de fogo apreendidas (fls. 230/238 do processo principal). Ademais, houve a captura e morte de Lázaro Barbosa de Sousa, situação que elidiu a preocupação de outrora quanto à realização de novos atos de colaboração de Elmi com aquele criminoso e, portanto, o risco de sua liberdade à ordem pública”, acrescentou a magistrada.

A juíza também pontuou que, em relação a suspeita de que as armas e munições seriam objeto também de receptação, mencionada no parecer do Ministério Público, “a mera probabilidade, desacompanhada da demonstração dos indícios de autoria, não é suficiente para respaldar, no bojo da ação penal em tela, a prolongamento da medida extrema da segregação cautelar”. “Sem prejuízo, é claro, da possibilidade de nova decretação, em sendo trazidos novos elementos de informação”, declarou.

A magistrada decretou a substituição da prisão preventiva do fazendeiro pela monitoração eletrônica, com as seguintes restrições:

a) Proibição de ausentar-se de sua residência no período de 19h às 6h;

b) Proibição de pernoitar fora da comarca de residência (Águas Lindas de Goiás), sem prévia e específica autorização judicial.