Guardas humilhados por desembargador recebem homenagem da Prefeitura de Santos

O prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) entregou as medalhas e afirmou que o episódio despertou uma consciência coletiva de respeito ao próximo.

Foto: Banda BGuardas municipais
Guardas municipais Cícero Hilário e Roberto Guilhermino

Fonte: Brasil 247

Os dois guardas civis municipais Cícero Hilário Roza, 36 anos, e Roberto Guilhermino da Silva, 41, ofendidos e humilhados publicamente pelo desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira, no último sábado (18), receberam uma homenagem da Prefeitura de Santos pela conduta durante a abordagem. O prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) entregou as medalhas e afirmou que o episódio despertou uma consciência coletiva de respeito ao próximo.

"De uma conduta inadequada de um cidadão, pudemos ver uma conduta exemplar dos nossos guardas. Postura, calma, tranquilidade e paciência na condução da ocorrência despertaram em muitas pessoas o entendimento do trabalho de vocês que estão nas ruas, se expondo, para salvar a vidas das pessoas, já que o uso de máscaras salva vidas", disse o prefeito.

Foto: Anota BahiaSolenidade de homenagem aos guardas municipais feita pela Prefeitura de Santos
Solenidade de homenagem aos guardas municipais feita pela Prefeitura de Santos

De acordo com o guarda Roberto Guilhermino, que atua há 18 anos na Guarda Civil Municipal, a calma demonstrada na abordagem é comportamento adquirido com a experiência. "Prestamos apoio a outros órgãos, algumas ocorrências que envolvem, por exemplo, pessoas em situação de rua e também apoiamos abordagens a pessoas que fazem uso de medicamentos. São situações que adquirimos experiência para lidar com situações comportamentais diversas", afirmou.

O guarda Cícero Hilário, ofendido diversas vezes pelo magistrado, comentou que o aborrecimento momentâneo abriu espaço para o orgulho dos familiares. 

"Quando cheguei em casa, depois do ocorrido, estava chateado. Minha esposa tinha visto o vídeo, minha filha estava triste com o tratamento que recebi. Depois da repercussão, vizinhos, amigos e familiares começaram a mandar mensagens de apoio e, de uma tristeza, o sentimento mudou. A gente vê que uma postura nossa gerou admiração, nosso trabalho foi reconhecido e isso trouxe orgulho para minha família", continuou.

Guilhermino afirmou estar surpreso com a repercussão do fato. "Em um primeiro momento, não tínhamos noção que essa situação fosse repercutir dessa maneira na mídia e nas redes sociais. Embora toda a situação constrangedora que a gente sofreu tenha causado chateação, só temos a agradecer todo o apoio de todo povo brasileiro. O recado que deixo é: um ato tão simples, que é o de utilizar máscaras, pode salvar vidas. E isso depende de cada um de nós", finalizou.

O magistrado arrumou confusão ao ser multado pelos agentes por descumprir um decreto municipal sobre uso obrigatório de máscaras faciais. Ele chamou o guarda de 'analfabeto', rasgou a multa e jogou o papel no chão. A Corregedoria Nacional da Justiça (CNJ) pediu apurações sobre o caso e o desembargador terá um prazo de 15 dias para prestar esclarecimentos. De acordo com a desembargadora do TJ-SP Maria Lúcia Pizzotti, Siqueira pode ter cometido abuso de autoridade, injúria e desacato e tráfico de influência.

Foto: Minuto SertãoDesembargador do TJ-SP, Eduardo Almeida
Desembargador do TJ-SP, Eduardo Almeida

No começo de maio, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou a obrigatoriedade do uso de máscaras. Em junho, o chefe do Executivo paulista afirmou que cidadãos flagrados sem máscaras em espaços públicos serão multados em R$ 500.

Em nota divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, o desembargador afirmou estar está sendo vítima de um "linchamento" público. O magistrado disse ser vítima de "armação" tramada pelos guardas municipais. "O vídeo é verdadeiro, o fato realmente aconteceu, mas foi tirado do contexto, que eu gostaria de esclarecer, para que seja considerado nesse verdadeiro julgamento público – ou melhor, linchamento – que se estabeleceu sobre a minha conduta, sem que a minha versão dos fatos seja conhecida", escreveu.

São Paulo continua sendo o estado com o maior números de confirmações (416.434) e mortes (19,7 mil) provocadas pelo coronavírus. Em segundo lugar está o Rio de Janeiro, com 141.005 casos e 12 mil óbitos, de acordo com o site disponibilizado pelo governo pata atualizações de casos da Covid-19.

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de infecções (2,1 milhões) e pessoas mortas (80 mil) em decorrência da Covid-19, perdendo apenas para os Estados Unidos, com 3,9 milhões e 143 mil falecimentos.