CPI da Covid: Renan Calheiros ironiza lista de acusações feita pelo governo
A lista surpreendeu aliados e foi vista como um roteiro da CPI produzido pelo próprio governo
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) ironizou nesta segunda-feira (26) a lista elaborada pelo Ministério da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro com 23 possíveis acusações e críticas à atuação do governo no combate à pandemia e que podem ser citadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, apelidada de CPI do Genocídio.
“Acho muito bom que o governo treine suas autoridades, assim elevaremos o nível da própria apuração. Já havia recomendado que o governo gaste melhor suas energias e se prepare”, disse Calheiros à CNN Brasil. É esperado que Calheiros assuma a relatoria da CPI após a definição da presidência, que acontecerá na terça-feira (27).
Segundo informações do jornalista Gerson Camarotti, do G1, a lista surpreendeu aliados e foi vista como um roteiro da CPI produzido pelo próprio governo.
“O governo fez um roteiro inédito para alimentar a CPI. Só esse documento já justificaria a criação de comissão para investigar erros de gestão na condução dessa pandemia”, disse um líder do centrão ao jornalista.
O senador Humberto Costa (PT-PE), membro titular da CPI, disse à Fórum que considera que a lista mostra o desespero de Bolsonaro para “salvar a própria pele”. “Isso mostra o absoluto desprezo, falta de planejamento, menoscabo com que essa tragédia vem sendo tratada por Jair Bolsonaro. É um gesto de desespero para salvar a própria pele, que só serve a demonstrar que as investigações são acertadas e terão um longo caminho pela frente”, disse ao jornalista Plínio Teodoro.
“Não é de surpreender que, somente às vésperas de a CPI dar início aos seus trabalhos, o Planalto tenha interesse de coletar com os ministérios o que é que eles fizeram em relação a uma pandemia que já matou quase 400 mil brasileiros”, completou.
Lista
Na lista, revelada pelo jornalista Rubens Valente, do portal Uol, no domingo (25), a Casa Civil, comandada pelo general Luiz Eduardo Ramos, pede respostas dos ministérios para 23 possíveis acusações e críticas como a negligência do governo na compra de vacinas, promoção de tratamento precoce contra a Covid-19 sem comprovação científica, militarização do Ministério da Saúde, minimização da gravidade da pandemia e ausência de incentivo à adoção de medidas restritivas para reduzir o contágio pela doença.
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