Ciro e Elmano a favor da morte, Marcelo Castro pela vida

Ciro e Elmano a favor da morte, Marcelo Castro pela vida


Por Sâmia Menezes, jornalista
Terça-feira passada apenas um senador piauiense disse não ao decreto de armas proposto pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, que ampliava o porte e posse de armas para mais de 20 categorias profissionais. Marcelo Castro (MDB) foi coerente e, como médico que é, reafirmou uma defesa pela vida e foi bombardeado pelos defensores de Bolsonaro em suas mídias.
Apesar do presidente afirmar que a medida tem apoio da sociedade, a última pesquisa Ibope, divulgada no início do mês, apontou que 73% da população é contrária à flexibilização do acesso às armas.
Durante a semana, o presidente e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonardo, postaram em suas redes mensagens afirmando que foi tirado do cidadão o direito à legítima defesa. Ora, não cabe ao Estado garantir a defesa de seu povo? Fica a indagação.
Se aprovado, teríamos realmente um país cheio de armas e livre da violência? Lamento, mas não consigo interpretar os fatos indo por essa ótica. Teríamos, sim, uma guerra fria ou pior.
Esse episódio das armas é bem semelhante ao também recente episódio da cadeirinha de crianças para uso em automóveis. Retomo aqui o depoimento emocionado de uma parlamentar, que ironicamente íntegra a base de apoio a Bolsonaro:
“Quanto custa uma cadeirinha? Eu não sei o valor de uma cadeirinha, mas sei o valor de um terreno no cemitério. Eu sei quanto custa um caixão, eu paguei o caixão do meu filho. Eu sei quanto custa choro, flores”, completou a deputada federal Christiane Yared (PL-PR), mãe de Gilmar Yared, um dos dois jovens mortos em 2009 em uma colisão com o carro do então deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli — que estava bêbado, a 170 km por hora e com a carteira de motorista vencida.
Os outros dois senadores piauienses, Elmano Ferrer (Podemos) e Ciro Nogueira (PP) fecharam literalmente os olhos para a defesa do povo e votaram à favor da proposta - felizmente DERROTADA - do Governo.