Bolsonaro é genocida? Renan diz que sim, Aziz quer ser convencido

Presidente e Relator da CPI ainda não se entenderam

Foto: DivulgaçãoOmar e Renan
Omar e Renan

O relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros afirmou, nesta sexta-feira (15), em entrevista ao Jornal da CBN, que não há dúvidas da caracterização de genocídio de indígenas pelo governo Jair Bolsonaro. O senador disse que há vários atos normativos que indicam para este tipo de crime antes mesmo da crise sanitária.

Renan Calheiros ainda afirmou que Bolsonaro será indiciado por outras infrações, como crime de epidemia com resultado morte, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, prevaricação, falsificação de documento particular, crimes contra a humanidade e de responsabilidade. O parlamentar afirmou que Bolsonaro também será indiciado por homicídio comissivo por omissão. ''O que significa, em outras palavras, o Presidente da República ter descumprido seu dever legal de evitar a morte de milhares de brasileiros durante a pandemia'', explicou.

Renan Calheiros indicou que a Covid-19 poderá ser incluída na relação de doenças que permitem a aposentadoria por invalidez. A medida valerá para pessoas com sequelas irreversíveis identificadas por meio de perícia médica.

O senador falou sobre uma proposta que será apresentada e prevê a pensão de até um salário mínimo a órfãos da pandemia. Teriam direito ao benefício pessoas que perderam o pai, a mãe ou o responsável e tenham até 21 anos de idade. Questionado sobre a possibilidade do presidente Jair Bolsonaro vetar o projeto, o senador disse que, nesse caso, 'configuraria sem dúvida um veto passível de ser derrubado pelo Congresso Nacional'.

Renan afirmou ainda que a possibilidade de indiciamento de filhos do presidente Jair Bolsonaro por fake news envolvendo a pandemia está sendo estudada, mas que há uma tendência muito forte de que isso possa acontecer. "Possibilidade de indiciamento deles é concreta", disse.

Omar Aziz

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse que precisará ser “convencido” da acusação do crime de genocídio cometido por Jair Bolsonaro durante a pandemia. O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), pretende imputar ao ex-capitão este e outros crimes no documento final que deverá ser apresentado na próxima semana. 

"Vou ter que ser convencido de que Bolsonaro cometeu o crime de genocídio. Nós demos o prazo até o dia 15 deste mês, que é hoje, para que o Renan fizesse o relatório, com auxílio de pessoas qualificadas. Se for colocar o presidente como genocida, eu queria saber qual foi o genocídio. Todos sabem das minhas divergências com o presidente, mas eu não posso ir além. Eu tenho que ter essa cautela, eu não vejo, só se alguém me convencer desse crime", afirmou Aziz em entrevista ao UOL News.