Após novo aumento nos combustíveis, líder de caminhoneiros diz que greve é "provável"

Ex-apoiador de Bolsonaro, "Chorão", diz que motoristas estão sendo "esmagados"

Foto: VejaCaminhoneiros prometem nova greve
Caminhoneiros prometem nova greve

 

"O país vai parar". A ameaça é de Wallace Landim, o "Chorão", presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), que afirma que a categoria vê como "provável" uma greve após o anúncio de mais um aumento nos preços dos combustíveis pela Petrobras.

De acordo com o anúncio feito nesta sexta (17), o diesel vai ficar 14,2% mais caro nas refinarias a partir de sábado (18). O preço médio para as distribuidoras vai passar de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro. Para o consumidor final, a estatal prevê um aumento de R$ 0,63 por litro.

"A verdade é que, de uma forma ou de outra, mantendo-se essa política cruel de preços da Petrobras, o país vai parar novamente. Se não for por greve, será pelo fato de se pagar para trabalhar. A greve é o mais provável", afirmou Chorão, em nota enviada à imprensa.

Foto: MetrópolesLíder da greve dos caminhoneiros em 2018, Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, é um dos principais entusiastas da paralisação prevista para o dia 1º de novembro
Wallace Landim, conhecido como “Chorão”

 

Chorão disse que a Abrava recebeu a notícia do aumento "com indignação". Ex-apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente da associação dos caminhoneiros disse que o governo foi incompetente ao "não ter reestruturado a Petrobras", e acrescentou, ainda, que "o governo se acomodou". 

"Por ironia do destino o ministro apelidado de 'Posto Ipiranga', que deveria resolver esse problema, é o grande culpado desse caos", disse, em referência ao ministro da Economia, Paulo Guedes. "Hoje chegamos nesse ponto crítico, sendo que ainda temos sérios riscos de falta de diesel. Bolsonaro precisa entender que ficar dando 'xilique' não vai resolver o problema", afirmou.

Chorão alertou, ainda, que a alta nos preços dos combustíveis e a inflação em geral estão fazendo com que a categoria deixe de fazer a manutenção correta nos caminhões, já que os gastos com moradia e os combustíveis estão consumindo todo o orçamento. "O caminhoneiro está sendo esmagado pela inflação e pela alta do diesel", completou.

Reajuste também na gasolina

O reajuste de 14,2% no preço do diesel nas refinarias foi anunciado nesta sexta pela Petrobras, que informou, ainda, aumento de 5,1% no preço da gasolina a partir de sábado (18).

Só em 2022, a gasolina vendida pela Petrobras acumula alta de 31%. Já o diesel, 68% de aumento. Segundo a estatal, as altas estão relacionadas a impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia no valor do barril do petróleo.

O reajuste desta sexta foi discutido numa reunião emergencial do conselho de administração da estatal realizada na quinta-feira (16). O governo federal, sócio-controlador da Petrobras, tem seis dos 11 membros do conselho.

Com informações do Brasil de Fato