Por Arnaldo Eugênio, doutor em Antropologia

Há décadas se discutem no Brasil, dentre inúmeras dificuldades no sistema educacional, a escola e a educação através da prática docente no processo de ensinar-aprender. Esta pacificada entre os diversos debatedores a ideia de que a escola necessita redimensionar a sua função social, ressignificando as suas ações pela compreensão do que a sociedade contemporânea exige dela.

Quanto à prática de ensinar-aprender na contemporaneidade, um dos desafios é saber que tipo de professor deve-se formar. Aqui, abordam-se dois: o “professor blasé” (ou indiferente) e o “professor autêntico” (ou provocador).

De um lado, o “professor blasé” é visto como um “professor bom” por aqueles que acreditam na indiferença e no mecanicismo como fundamentos para o processo de ensinar-aprender, mantendo-se distante da criticidade e reflexibilidade do mundo real. É um “professor bom” à passividade daqueles que negam a inquietação de quem não se acha demais certo das certezas e da permanência do mundo.

Do ponto de vista da formação de educandos educadores, o “professor blasé” de nada serve, pois se posta alheio às condições socioculturais, econômicas e políticas de seus alunos, dos familiares e da sociedade, se enclausurando numa falsa neutralidade. Se omitindo, intencionalmente, dos conflitos humanos sem externalizar “publicamente” os seus medos, anseios, interesses, fragilidades e preocupações.

O “professor blasé” traz “um discurso hipócrita que fala ao educando em democracia e liberdade, mas impõe-lhe a vontade arrogante de mestre” (PAULO FREIRE, 1996), que não estuda nem pesquisa e fica atrás de uma falsa decência – machista, racista, classista, fútil, homofóbico, autoritário, violento, tirânico, insensível, sexista.

De outro lado, identifico-me com o “professor autêntico” que é por definição um “professor provocador”, que assume, expondo-se a riscos de ignorância, o espaço da sala de aula como um lugar de afirmações, de conflitos e de responsabilidades. É aquele que publiciza a complexidade do espaço ensinar-aprender e a que ele se propõe, reformulando sua ação e redefinindo prioridades dentro da dinâmica das diferentes exigências do contexto social em que se insere.

Pois, como afirmam Abreu & Masseto (1990) é o modo de agir do professor em sala de aula, para além da sua personalidade, que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos, pois aquele se fundamenta numa determinada concepção do papel do professor, que por sua vez reflete valores e padrões da sociedade, sem perder de vista a boniteza e a alegria de ensinar aprendendo com prazer mútuo.

É navegando entre o alvoroço das ondas do exercício do bom senso e da rigorosidade científica que o “professor autêntico” forja a sua autenticidade de educador que respeita a autonomia, a dignidade e a identidade dos educandos, compreendendo a sua presença no mundo, o seu fazer, fazendo-se na atualidade do agora. Um “professor autêntico” não se avalia por rótulos falso-moralistas, pois sabe que para manter um bom relacionamento em sala de aula, o aprendizado deve ser eficiente e significativo, para além da obviedade.

O “professor autêntico” é um ser político e consciente do inacabamento humano, que aceita no processo de ensinar-aprender que todas as partes envolvidas comutem suas experiências, informações, opiniões, afetividades, conhecimentos, para a dinâmica fluir numa relação positiva e amorosa. Pois, vale à pena, mesmo que implique em correr riscos, traições, incompreensões, maledicências, má-fé, oportunismos, julgamentos, ethos de vitimizações etc.

 

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