Zambelli compara Alexandre de Moares a seu marido: “jamais chegará aos pés dele”
Deputada está presa na Itália e falou virtualmente na CCJ da Câmara
Durante depoimento virtual à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nesta terça-feira (24), a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria uma "obsessão" por ela. Em tom emocional, comparou o magistrado ao seu marido, dizendo que Moraes “jamais chegará aos pés” dele. “Ele queria me estrangular no sentido de me isolar completamente, de tirar tudo e todos ao meu redor”, declarou a parlamentar, segundo informações do jornal O Tempo.
Zambelli exaltou seu marido, Aginaldo, destacando sua trajetória na polícia: “Um policial com 35 anos de serviço, que já levou cinco tiros, foi esfaqueado três vezes, tem treinamento do Bope e da SWAT. Um homem que nunca teve sequer um fio de cabelo fora do lugar. O ministro jamais se compararia a ele.”
O depoimento da deputada ocorre enquanto ela se encontra presa na Itália, aguardando o julgamento de seu processo de extradição. Foragida da Justiça brasileira, Zambelli deixou o país em maio deste ano após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023.
Figura conhecida da extrema direita e uma das parlamentares mais controversas do bolsonarismo, Zambelli acumulou episódios polêmicos ao longo dos últimos anos. Sua trajetória inclui desde a disseminação sistemática de desinformação nas redes sociais até atos de intimidação armada em plena luz do dia, como quando perseguiu um opositor com uma pistola em um bairro nobre de São Paulo.
Além da condenação pelo ataque ao CNJ, ela também foi sentenciada em outro processo no STF, somando mais de 15 anos de prisão. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi condenada por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação – decisão que, em tese, deveria resultar na perda imediata do mandato parlamentar, o que ainda não ocorreu.
Apesar das condenações firmadas com farto material probatório, Zambelli tenta agora reescrever os fatos. Em sua fala à CCJ, apresentou uma narrativa fantasiosa segundo a qual toda a perseguição teria começado após uma denúncia feita por ela contra Alexandre de Moraes. “Eles mandaram eu pedir desculpas no Facebook. A entrevista foi apagada do programa Pânico, onde eu disse que ele [Moraes] foi advogado das vans do PCC. Ali eu percebi que estava lidando com uma pessoa que era um bandido”, afirmou. Sim, a deputada condenada por múltiplos crimes agora tenta inverter os papéis, chamando de “bandido” o juiz responsável pelo seu caso.
Zambelli ainda tentou minimizar sua relação com o hacker Walter Delgatti, responsável pela invasão ao CNJ, alegando que ele teria lhe enviado os dados por conta própria, porque ela teria interesse em segurança virtual. “Fiquei com um pouco de medo, porque esse tipo de situação poderia me lesar, então dei uma distanciada dele”, disse. No entanto, o processo judicial já comprovou que a deputada não apenas contratou Delgatti, como o orientou sobre o que inserir no sistema e pagou R$ 40 mil pelo serviço.
Durante seu depoimento, Zambelli também acusou Moraes de atingir sua família. Mas, de acordo com as investigações, seus parentes tiveram contas bloqueadas por estarem envolvidos em tentativas de burlar decisões judiciais, e não por qualquer "perseguição".
Por fim, a deputada não poupou elogios à Justiça italiana – aparentemente na esperança de escapar da extradição. “Essa prisão aconteceu para que eu pudesse expor à Itália a minha confiança na Justiça daqui, enquanto eu não conseguisse me explicar do que está acontecendo no Brasil”, concluiu.
Contudo, pelas decisões recentes da corte italiana, tudo indica que o Judiciário europeu não comprará a versão fantasiosa da parlamentar – e seguirá o mesmo caminho traçado pela Justiça brasileira: o da responsabilização pelos crimes que ela cometeu.
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