Vacina da dengue do Butantan é suspensa temporariamente
Medida foi adotada após três casos graves, incluindo duas mortes sob investigação, sem comprovação de relação causal com o imunizante
O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente, nesta segunda-feira (8), a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de três casos graves monitorados pela farmacovigilância, incluindo duas mortes. Segundo o governo, ainda não há evidências suficientes para comprovar que os episódios tenham sido causados pela vacina.
O que aconteceu
A suspensão foi anunciada durante coletiva de imprensa com representantes da Anvisa e do Ministério da Saúde. De acordo com o ministro Alexandre Padilha, os três casos graves identificados representam um sinal de alerta, mas as investigações realizadas até o momento não encontraram dados que permitam estabelecer uma relação direta entre a vacina e os eventos registrados.
Cerca de 500 mil doses já foram aplicadas no país. Com a decisão, estados e municípios deverão interromper temporariamente a vacinação até a conclusão de uma nova análise dos dados de segurança.
O Ministério da Saúde orientou que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem unidades de saúde para acompanhamento de possíveis reações adversas. Todos os casos seguem sob investigação.
A vacina do Butantan é a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única e também a primeira desenvolvida integralmente no Brasil. Nos estudos clínicos, que envolveram aproximadamente 16 mil participantes e tiveram resultados publicados na revista científica Nature, não foram observados os eventos graves agora investigados.
Entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, correspondendo a 0,7% dos vacinados. Desses casos, 42 apresentaram sinais de alarme, o equivalente a 0,008% do total de imunizados.
Dos três casos graves, uma mulher de 39 anos foi internada em UTI e recebeu alta. Os outros dois envolveram uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos, que morreram. As autoridades sanitárias continuam investigando se existe relação entre os casos e a vacina.
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