Política

Trump vai reduzir tarifas sobre café; Brasil será principal beneficiado

Presidente dos EUA não detalhou quais medidas serão adotadas


@ricardostuckert Trump vai reduzir tarifas sobre café; Brasil será principal beneficiado
Encontro de Lula e Trump

Em entrevista concedida à rede Fox News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país pretende reduzir algumas tarifas sobre a importação de café, embora não tenha detalhado as medidas que serão implementadas. O Brasil deve ser o maior beneficiado pela redução dos impostos, já que o produto é amplamente consumido pelos norte-americanos.

De acordo com a analista de agronegócios Renata Marconato, da consultoria MB Agro, ligada à MB Associados, os Estados Unidos consomem aproximadamente 25 milhões de sacas de café por ano, das quais entre 7,5 e 8 milhões costumam ser importadas do Brasil. A produção brasileira é predominantemente formada por grãos do tipo arábica, variedade na qual o país é líder mundial, com uma safra anual estimada entre 40 e 45 milhões de sacas.

Além do Brasil, países como Colômbia, Indonésia, Etiópia e Honduras também figuram entre os principais produtores de arábica, com produções que variam de 6 a 13 milhões de sacas. Contudo, devido à tarifa de 50% imposta aos exportadores brasileiros, parte das importações dos EUA pode ter sido redirecionada a nações que enfrentam tributações mais baixas.

A eliminação da sobretaxa sobre o café é uma das principais metas do governo brasileiro nas negociações com Washington. Durante o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em 26 de outubro, em Kuala Lumpur (Malásia), o Brasil não obteve a suspensão imediata das tarifas, mas conseguiu reabrir o diálogo com a Casa Branca.

Fontes próximas às tratativas afirmam que o governo brasileiro encaminhou aos Estados Unidos documentos solicitando a retirada de diversos produtos do tarifaço, entre eles café, carnes, pescados e frutas. Como o café não é cultivado em grande escala no território norte-americano, o item é considerado um dos mais prováveis de ter suas taxas reduzidas. Em julho, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, já havia indicado que alimentos não produzidos internamente poderiam ter tarifas zeradas.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a inclusão do café entre os produtos tarifados teve motivação política, uma vez que o item possui grande importância nas exportações brasileiras. Ele ressalta, contudo, que manter as tarifas não faz sentido econômico, já que 76% dos consumidores americanos bebem café, o Brasil é responsável por 34% das vendas ao país, e menos de 1% da demanda é suprida pela produção local — restrita ao Havaí e a Porto Rico.

Após o encontro entre Lula e Trump na Ásia, Cardoso declarou:

“Estamos acompanhando o processo com atenção e cautela, mas com expectativas bastante positivas quanto ao avanço das negociações.”

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