Terminou o desfile em homenagem a Lula. Vai começar a batalha na Justiça
Oposição a Lula está inflamada, irada, com os acontecimentos
A temperatura da disputa eleitoral subiu e transbordou para a Marquês de Sapucaí. O desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15/2), transformou o Carnaval em arena política ao levar para a avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a alegoria que retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um palhaço com tornozeleira eletrônica incendiaram apoiadores e, sobretudo, adversários do petista.
Nos dias que antecederam o desfile, a oposição tentou barrar a apresentação na Justiça e promoveu forte mobilização nas redes sociais, sem sucesso. Parlamentares e lideranças da direita classificaram o espetáculo como propaganda eleitoral antecipada financiada com recursos públicos — já que as escolas de samba recebem verbas oficiais — e anunciaram novas medidas judiciais. Parte dos aliados de Lula também avaliou que a exposição direta do presidente e da primeira-dama Janja poderia representar desgaste político.
Prevaleceu, contudo, a avaliação de que o risco valeria a pena. Lula acompanhou o desfile de um camarote e chegou a descer para a pista, cercado por apoiadores, seguranças e jornalistas. Janja, que inicialmente participaria da apresentação, optou por não desfilar diante das controvérsias jurídicas levantadas por adversários. Ministros do governo teriam sido orientados a evitar presença na avenida para reduzir questionamentos.
Nas redes bolsonaristas, o desfile se tornou assunto central. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu à alegoria que fazia referência ao marido, afirmando que “quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva”, em crítica direta à escola. O senador Sergio Moro (União-PR) chamou o episódio de “inédito” e acusou o uso de dinheiro público para promoção eleitoral. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também protestou contra trechos do enredo e prometeu recorrer à Justiça.
Do outro lado, lideranças petistas transformaram a apresentação em símbolo de afirmação política. Parlamentares exaltaram o desfile como reconhecimento da trajetória do presidente e ironizaram as críticas da oposição. Para aliados, a Sapucaí celebrou a história de um nordestino que chegou ao Planalto; para adversários, o espetáculo representou abuso e afronta à legislação eleitoral.
Com o Carnaval ainda ecoando, a batalha migra novamente para os tribunais e para o debate público, evidenciando que, neste ano, a avenida também é palco da polarização nacional.
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