Terapia com polilaminina pode chegar a pacientes em 5 anos
Proteína da placenta mostra resultados iniciais e Anvisa libera ensaio clínico
Dois pacientes com lesões graves na medula voltaram a apresentar ganhos de movimento e sensibilidade após tratamento experimental com polilaminina, proteína extraída da placenta. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou estudo clínico a partir de março, mas ao menos 50 pessoas já acionaram a Justiça em busca de acesso antecipado.
O que aconteceu
Dois pacientes com lesões severas na medula espinhal registraram melhora de movimento e sensibilidade após receberem polilaminina, proteína derivada da placenta ainda em fase experimental. A repercussão dos resultados levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a autorizar a realização de um estudo clínico com voluntários a partir de março. Caso as etapas avancem conforme o previsto, a estimativa mencionada é de que o medicamento possa ser disponibilizado ao público em até cinco anos.
Mesmo antes do início formal do ensaio clínico, a expectativa gerada pelo tratamento provocou uma corrida ao Judiciário. Pelo menos 50 pacientes ingressaram com ações para tentar obter acesso antecipado à substância.
O tema foi debatido no podcast Isso é Fantástico, apresentado por Maria Scodeler, com participação da repórter Flávia Cintra e da pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tatiana explicou as limitações do estudo e os passos regulatórios necessários até uma eventual aprovação do medicamento.
Segundo a pesquisadora, o grupo conseguiu conduzir um estudo clínico pequeno, descrito como piloto, sem patrocínio externo e dentro da universidade — algo que ela classificou como raro, especialmente por se tratar de uma droga nova e injetável. Ela atribuiu o avanço à combinação de perseverança e trabalho voluntário, destacando que praticamente toda a equipe atuou por dedicação ao projeto.
Entre os relatos mencionados está o de Hawanna Cruz Ribeiro, 28 anos, atleta paralímpica de rugby em cadeira de rodas, que utiliza a polilaminina desde 2020. Ela sofreu um acidente aos 19 anos, em 8 de setembro de 2017, ao cair de aproximadamente 10 metros, do terceiro andar de um prédio. Na ocasião, teve traumatismo craniano e fraturou três vértebras do pescoço.
Hawanna afirma que, após o tratamento, recuperou sensações consideradas improváveis para o tipo de lesão que sofreu. Segundo ela, passou a perceber estímulos leves, como o toque de uma mosca na perna, além de sentir temperatura e dor, ainda que com algum atraso. Também relata melhora na sensibilidade da bexiga e do intestino, maior controle de tronco, diminuição de episódios de perda urinária e fortalecimento de braços e costas.
Em nota, a Anvisa ressaltou que apenas ensaios clínicos controlados, realizados em todas as fases exigidas, podem comprovar a segurança e a eficácia do produto. A agência também lembrou que, quando o paciente não se enquadra nos critérios de um estudo, pode haver possibilidade de acesso por meio do chamado uso compassivo.
Metadescrição (SEO): Polilaminina, proteína da placenta, é estudada como terapia para lesão medular; Anvisa autorizou ensaio clínico e ao menos 50 pacientes já buscaram acesso na Justiça.
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