Política

Taxas de Trump: a culpa é de Bolsonaro

Jair Bolsonaro, e seus filhos, são os responsáveis diretos por mais uma crise política e econômica no Brasil


Reprodução Taxas de Trump: a culpa é de Bolsonaro
Eles não querem saber do Brasil, eles querem anistiar (nem que seja à força) Jair Bolsonaro

O recente embate entre Donald Trump (EUA) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) não nasce de um conflito real entre nações, mas de uma engenharia política forjada por interesses pessoais e alianças ideológicas questionáveis. De um lado, Trump, que transforma a diplomacia em palco de bravatas, acumula tensões com líderes e países ao redor do mundo. De outro, Lula, que retorna à presidência após dois mandatos marcados por estabilidade institucional e respeito internacional. No meio desse cenário, surge a atuação desleal da família Bolsonaro, que aposta no caos e na sabotagem como estratégia de sobrevivência política.

Luiz Inácio Lula da Silva já governou o Brasil por dois mandatos (2003-2010), período em que construiu pontes sólidas com diferentes governos americanos. Manteve relações respeitosas e produtivas com George W. Bush (2001-2009) e Barack Obama (2009-2017), com quem firmou acordos comerciais e estabeleceu canais diplomáticos abertos, mesmo em meio a divergências ideológicas. Sua sucessora, Dilma Rousseff, ainda que vítima de espionagem por parte da inteligência dos EUA, não comprometeu o relacionamento bilateral em termos institucionais.

Donald Trump, por outro lado, tem apostado em uma política externa beligerante e personalista desde seu primeiro mandato (2017-2021) e mais ainda agora, em seu retorno à Casa Branca. A construção do muro na fronteira com o México e a mudança do nome do Golfo daquele país, as ameaças de anexação do Canadá, além das tentativas esdrúxulas de comprar a Groenlândia, demonstram um projeto imperialista fora do tempo e do senso. Trump também impôs tarifas arbitrárias a dezenas de países, transformando o comércio internacional em ferramenta de intimidação política. Trump é também um dos principais defensores da ofensiva militar de Israel contra o povo palestino. Sua retórica genocida, seu apoio irrestrito às ações de Benjamin Netanyahu e sua indiferença à crise humanitária na Faixa de Gaza o colocam ao lado dos que promovem o extermínio, não da paz.

A mais nova vítima dessa postura é o Brasil, não por razões econômicas, mas por um capricho político articulado com o bolsonarismo. A família Bolsonaro, que há anos vive exclusivamente da política e dos recursos do Estado, está no centro dessa trama. Jair Bolsonaro perdeu as eleições de 2022 no exercício da presidência, utilizando a máquina pública — com isenções para caminhoneiros, auxílios eleitoreiros e operações da Polícia Rodoviária Federal em redutos lulistas — e mesmo assim foi derrotado. Não aceitou o resultado das urnas e figura como um dos mentores do ataque golpista de 8 de janeiro.

Seu filho, Eduardo Bolsonaro, abandonou o mandato de deputado federal para atuar nos bastidores da extrema-direita internacional. Em conluio com figuras como Steve Bannon, articulou ofensivas contra o governo brasileiro. Agora, os EUA de Trump anunciaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Trata-se de uma medida abertamente política: os próprios bolsonaristas admitem que, se Jair Bolsonaro for absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, as tarifas poderão ser suspensas.

A manobra atingiu um novo patamar quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas — ex-ministro de Bolsonaro — sugeriu aos ministros do STF que autorizassem Bolsonaro a deixar o país para negociar diretamente com Trump a retirada das tarifas. A proposta, absurda e juridicamente desconectada da realidade, expôs o grau de subserviência e de ambição política envolvido na aliança entre o bolsonarismo e o trumpismo.

A figura de Lula se impõe como alguém que já demonstrou capacidade de diálogo, liderança internacional e compromisso com a democracia. 

Jair Bolsonaro, e seus filhos, são os responsáveis diretos por mais uma crise política e econômica no Brasil.

Siga nas redes sociais

Deixe sua opinião: