Política

Tarcísio de Freitas e o PCC: quem são as pessoas de “proximidade incômoda” para o governador?

Em termos estritamente jurídicos, não há condenações definitivas que liguem o governador ou seu secretário ao PCC


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Pessoas próximas a Tarcísio de Freitas são investigadas por ligaçõe com o PCC

O governo de São Paulo convive, desde o fim de 2024, com uma sucessão de notícias que aproximam seu núcleo político e de segurança de personagens investigados por ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As menções não recaem sobre o governador Tarcísio de Freitas, mas sobre doadores expressivos de sua campanha e agentes policiais do círculo da segurança institucional, gerando desgaste político e questionamentos sobre os filtros adotados para compor equipes e agendas.

Em 26 de novembro de 2024, a Polícia Federal prendeu o capitão Diogo Costa Cangerana, então lotado na Polícia Militar, sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro via fintechs associado ao PCC. Cangerana servira por anos na Casa Militar, com passagens por funções ligadas à segurança de autoridades no Palácio dos Bandeirantes e participação em comitivas oficiais. A cúpula do governo tratou o episódio como “ato isolado”, ressaltando que o oficial havia sido retirado da proteção de dignitários meses antes. Em janeiro de 2025, um habeas corpus permitiu seu retorno à corporação, sem encerrar as controvérsias.

Quase em paralelo, emergiu o caso de José Roberto Barbosa de Souza, o “Barbosinha” ou “Mão de Rã”, amigo de longa data do secretário Guilherme Derrite, com quem gravou programa em 2021 e a quem chegou a servir como motorista na época da Rota, segundo reportagens. Investigado pela Corregedoria, Barbosinha é apontado em documentos e apurações jornalísticas como suspeito de proteger lideranças do PCC e vazar informações sigilosas. A Secretaria de Segurança sustenta que se tratam de contatos antigos e “esparsos”, e que eventuais responsabilidades são individuais.

O eixo financeiro adicionou combustível político ao imbróglio. Em 2025, veio à tona que Maribel Schmittz Golin, sexta maior doadora da campanha de Tarcísio em 2022, é investigada pela PF por lavagem de dinheiro associada ao PCC. A revelação provocou representações ao Ministério Público e levou a questionamentos sobre visitas oficiais a empreendimento ligado à empresária. O governador nega proximidade e aliados afirmam que as agendas seguiram protocolos institucionais.

No pano de fundo, outros episódios reforçaram a pressão sobre a política de segurança. Após a execução do delator Vinícius Gritzbach, em novembro de 2024, 16 policiais militares foram presos e afastados por suspeita de participação no crime. Para críticos, a sucessão de casos indica falhas de governança e compliance na seleção e no acompanhamento de quadros estratégicos. Para o governo, são desvios pontuais, enfrentados com afastamentos e cooperação com as investigações.

A soma desses elementos — um oficial da segurança institucional preso e depois solto, um aliado de alta confiança do secretário sob apuração disciplinar e uma grande doadora investigada por lavagem — manteve o tema na agenda e alimentou a leitura de “proximidade incômoda” entre o Palácio dos Bandeirantes e pessoas hoje sob suspeita de vínculos com o crime organizado. Em termos estritamente jurídicos, não há condenações definitivas que liguem o governador ou seu secretário ao PCC. Politicamente, porém, o cercamento por investigações se tornou um ativo tóxico que atinge a imagem dos governantes de São Paulo.

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