Tarcísio de Freitas defende entreguismo: concessões a Washington em troca de tarifaço menor
Ele defende concessões a Trump e sugere abrir mão de diesel russo para conter tarifaço
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta segunda-feira (18) que o Brasil adote uma postura pragmática nas negociações comerciais com os Estados Unidos e ofereça uma “vitória” política ao presidente Donald Trump, como forma de reduzir as tarifas impostas a produtos brasileiros. A declaração foi feita durante participação no evento “Warren Day”, em São Paulo.
Postura pragmática diante do tarifaço
Ao falar no painel “Reflexões sobre São Paulo e Brasil”, Tarcísio afirmou que Trump busca colecionar vitórias políticas e que o Brasil deveria aproveitar essa característica em seu favor:
“É um presidente que vive da economia da atenção. Ele gosta de sentar com um chefe de Estado e dizer: ‘Consegui uma vitória’. Então, por que não entregar algumas vitórias?”, questionou.
O governador paulista criticou os efeitos do chamado tarifaço, que atinge setores estratégicos da economia do estado, como a Embraer, a indústria de pneus, máquinas e equipamentos, além do agronegócio – especialmente café e suco de laranja. Segundo ele, medidas emergenciais como linhas de crédito subsidiadas e liberação de créditos de ICMS são paliativas:
“O que resolve é sentar à mesa e negociar. Tarifa não protege ninguém. Fecha o mercado, desestimula a produtividade, a digitalização e o investimento em eficiência. No fim, todos perdem”, disse.
Concessões e ataque à Rússia
Em um dos trechos mais polêmicos de sua fala, Tarcísio sugeriu que o Brasil poderia abrir mão da compra de diesel russo como gesto de boa vontade a Washington.
“Na nossa relação com a Rússia, compramos fertilizantes e diesel. O fertilizante é absolutamente necessário. O diesel, nem tanto. A gente não precisa do diesel russo para nada. Será que não posso fazer um gesto nesse sentido?”, declarou.
O governador também apontou que outra concessão possível seria reforçar os investimentos de empresas brasileiras em solo americano, apresentando isso como uma “vitória” a Trump.
Críticas à postura de submissão
Tarcísio citou exemplos de países como México, Japão e membros da União Europeia, que conseguiram reverter medidas protecionistas no governo Trump, e disse que o Brasil deveria seguir o mesmo caminho. Para ele, reduzir as tarifas em setores como máquinas, café, pneus e proteína animal representaria um ganho significativo para a economia.
Apesar da defesa de pragmatismo, as falas do governador foram interpretadas por analistas e por internautas como um gesto de entreguismo e submissão à Casa Branca. A sobretaxa imposta por Trump foi justificada pelo presidente americano como uma resposta à forma como o Supremo Tribunal Federal tem conduzido processos contra Jair Bolsonaro, o que ampliou ainda mais as críticas à estratégia proposta por Tarcísio.
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