Tarcísio adota o discurso de Trump sobre narcotráfico
Após chacina com 121 mortos no Rio, governador de São Paulo chama facções de “terroristas"
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou nesta quinta-feira (30) uma mensagem nas redes sociais que marca uma guinada retórica para o endurecimento penal, em meio à comoção nacional causada pela chacina no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro — a operação policial mais letal da história do estado, com 121 mortos confirmados.
“Criminoso não é vítima da sociedade. O Estado precisa cuidar do cidadão de bem, de quem trabalha e faz este país crescer. É hora de endurecer as leis. As facções e organizações que tanto mal causam à população devem ser reconhecidas pelo que realmente são: terroristas”, escreveu Tarcísio.
A postagem, que ecoa o discurso adotado por Donald Trump nos Estados Unidos — que também defende tratar o narcotráfico como terrorismo —, foi publicada no mesmo dia em que moradores da Penha retiraram 72 corpos de uma área de mata, um dia após a megaoperação da Polícia Militar e da Polícia Civil no conjunto de favelas apontado pelas autoridades como reduto do Comando Vermelho.
A fala de Tarcísio reflete uma radicalização discursiva que remete à retórica de líderes de extrema direita como Trump, que defende a classificação de cartéis de drogas como organizações terroristas. Especialistas em segurança pública avaliam que esse tipo de discurso pode agravar a violência institucional e legitimar práticas de extermínio, sobretudo em comunidades pobres e racializadas.
Em meio ao luto e às denúncias de violações, o tom adotado pelo governador paulista reforça a divisão política sobre o modelo de segurança no país — entre o endurecimento penal e as políticas de direitos humanos —, reacendendo um debate urgente sobre o papel do Estado nas favelas e o valor da vida nas periferias brasileiras.
Crime organizado e terrorismo são coisas diferentes
As facções brasileiras atuam como empresas do crime, movidas por lucro, principalmente no tráfico de drogas, armas, extorsões e lavagem de dinheiro. Seu objetivo é controlar mercados e territórios, não impor ideologias ou disputar poder político.
Já o terrorismo, segundo a lei brasileira, envolve ataques violentos com motivação política, religiosa ou ideológica, destinados a espalhar medo, desestabilizar o Estado e atacar instituições. Ou seja: terrorismo não é apenas violência. É violência com projeto político.
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