Política

Stedile: “O agronegócio não tem futuro; todo o futuro é orgânico”

Em visita ao Assentamento Contestado, no Paraná, João Pedro Stedile defendeu a agroecologia, criticou os juros elevados e o modelo do agronegócio


Reprodução Stedile: “O agronegócio não tem futuro; todo o futuro é orgânico”
Stedile: “O agronegócio não tem futuro; todo o futuro é orgânico”

O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, fez duras críticas ao sistema financeiro brasileiro e ao modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio durante uma atividade realizada no Assentamento Contestado, localizado no município da Lapa, no Paraná.

Considerado um dos principais símbolos da reforma agrária no Brasil, o Assentamento Contestado está situado a cerca de 20 quilômetros do centro da Lapa e aproximadamente 70 quilômetros de Curitiba. A área foi ocupada por famílias do MST em fevereiro de 1999 e, ao longo dos anos, tornou-se referência nacional na produção de alimentos orgânicos e na formação em agroecologia.

O assentamento abriga a Escola Latino-Americana de Agroecologia (ELAA), espaço voltado à formação técnica e política de agricultores, estudantes e militantes de diversos países da América Latina.

Stedile critica juros altos e o papel do Estado

Durante sua análise da conjuntura econômica e política brasileira, Stedile afirmou que o sistema financeiro é sustentado pelas elevadas taxas de juros praticadas no país.

Segundo ele, o Brasil possui uma das maiores taxas de juros do mundo, o que favoreceria a concentração de renda e fortaleceria o capital financeiro.

“O que abastece o capital financeiro é a taxa de juros, que no Brasil é uma das mais altas do mundo. Aqui, o Estado atua em favor do capital financeiro e não dos mais pobres”, declarou.

O dirigente defendeu mudanças estruturais no funcionamento do Estado para que políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à reforma agrária tenham maior alcance.

Agroecologia e pesquisa científica

Stedile também abordou a importância do conhecimento científico para a construção de um novo modelo agrícola. Em sua avaliação, a pesquisa agropecuária brasileira ainda está fortemente direcionada às demandas do agronegócio.

O líder do MST afirmou que seria necessário ampliar os investimentos em pesquisas voltadas à agroecologia e à produção sustentável de alimentos.

Segundo ele, embora alguns pesquisadores desenvolvam estudos em parceria com movimentos sociais, o país precisaria de uma estrutura de pesquisa mais voltada à agricultura ecológica.

Críticas ao agronegócio e defesa da agricultura orgânica

Ao comentar o atual modelo de produção agrícola, Stedile declarou que o agronegócio enfrenta limites ambientais e sociais que comprometem sua sustentabilidade a longo prazo.

Para ele, o futuro da produção de alimentos passa pela agricultura orgânica, pela preservação ambiental e pelo fortalecimento da agricultura familiar.

“O futuro é orgânico”, afirmou.

Movimento de massas e transformação social

Outro ponto destacado por Stedile foi a importância da organização popular. Segundo o dirigente, agricultores, trabalhadores rurais e movimentos sociais desempenham papel fundamental na construção de alternativas econômicas e sociais para o país.

Ele defendeu o fortalecimento da mobilização social como instrumento para ampliar o debate sobre reforma agrária, soberania alimentar e desenvolvimento sustentável.

A fala ocorreu no Assentamento Contestado, experiência considerada uma das mais bem-sucedidas do MST no Brasil e reconhecida pela produção agroecológica, pela educação do campo e pela promoção de práticas sustentáveis de desenvolvimento rural.

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