SP: professores terão perda real de 2% nos salários, enquanto os vereadores receberam aumento salarial de 37%
Quando professores são atacados, quando mulheres parlamentares são silenciadas e quando o debate público é transformado em arena de intimidação, quem perde não é apenas a política. É toda a sociedade brasileira
A política brasileira vive um processo perigoso de degradação institucional impulsionado pela extrema-direita. Não se trata apenas de divergência ideológica. Divergência faz parte da democracia. O problema começa quando o debate é substituído pelo ódio, pela agressividade e pela tentativa permanente de intimidação de adversários políticos, jornalistas, professores e qualquer pessoa que pense diferente.
Eu assisto, com preocupação, ao avanço desse comportamento dentro das instituições públicas. Parte significativa da extrema-direita brasileira não apresenta um projeto consistente de sociedade. O que existe é uma política baseada no confronto, na raiva e na destruição do diálogo democrático.
No ano passado, o país viu deputados bolsonaristas protagonizarem a vergonhosa tomada da mesa da Câmara dos Deputados em cenas que simbolizaram o desprezo pelo debate civilizado. Parlamentares que deveriam defender ideias preferiram apostar na gritaria, no tumulto e na violência política como método de atuação.
Mais recentemente, na Câmara Municipal de Porto Alegre, um vereador arrancou o microfone do pedestal enquanto uma vereadora citava as denúncias publicadas pelo Intercept Brasil envolvendo conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O gesto foi simbólico: não era apenas um microfone sendo arrancado. Era uma tentativa de calar o debate político pela força e pela intimidação.
Agora, a cena se repete na Câmara Municipal de São Paulo. O vereador Lucas Pavanato votou favoravelmente à redução do reajuste salarial dos professores, atacou educadores chamando-os de “burros” e “vagabundos” e ajudou a transformar o plenário em mais um palco de guerra política. Enquanto isso, os próprios vereadores receberam recentemente um aumento salarial de 37%.
Os números revelam a dimensão do desrespeito. Em 2026, os professores terão perda real de 2% nos salários. Em 2027, a perda será de 3%. Ou seja: profissionais responsáveis pela formação das futuras gerações estão sendo penalizados enquanto parte da classe política amplia os próprios privilégios.
Depois da intervenção do vereador do PL, instalou-se um tumulto generalizado na Casa. E é justamente isso que mais preocupa. O parlamento deveria ser o espaço do confronto de ideias, da construção de consensos e da defesa do interesse público. Mas, para a extrema-direita, muitas vezes o objetivo parece ser outro: criar caos permanente, alimentar redes sociais com cenas de conflito e substituir a política pelo espetáculo da agressão.
O Brasil não precisa de mais ódio. Precisa de inteligência, diálogo, educação e respeito às instituições democráticas. Quando professores são atacados, quando mulheres parlamentares são silenciadas e quando o debate público é transformado em arena de intimidação, quem perde não é apenas a política. É toda a sociedade brasileira.
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