SINDICATO DO CRIME: Câmara mantém mandato de Carla Zambelli e suspende Glauber Braga
A Câmara manterá o mandato da condenada e presa Carlos Zambelli enquanto o deputado Glauber Braga está com o mandato suspenso
A Câmara dos Deputados decidiu, nesta quarta-feira (10), rejeitar o pedido de cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que seguirá com o mandato mesmo após ter sido condenada definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de reclusão por participação nas invasões aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O requerimento recebeu 227 votos favoráveis, 110 contrários e 10 abstenções — abaixo dos 257 necessários. Com isso, a representação da Mesa Diretora será arquivada.
Zambelli permanece presa na Itália, após fugir do Brasil, enquanto o STF aguarda sua extradição. A decisão do Plenário contrariou o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), elaborado por Claudio Cajado (PP-BA), que defendia a cassação por considerar impossível o exercício do mandato em regime fechado. Cajado citou jurisprudência relativa ao ex-deputado Nelson Meurer e reforçou que a Mesa deveria declarar diretamente a perda do mandato.
A deputada foi condenada também ao pagamento de multa e a uma indenização de R$ 2 milhões por sua atuação como “instigadora” das ações de Walter Delgatti Neto e Thiago Eliezer na Operação Spoofing. Segundo o Ministério Público, foram registradas 13 invasões e a fabricação de 16 documentos falsos, entre eles um mandado de prisão simulado contra o ministro Alexandre de Moraes.
Na CCJ, o primeiro relator, Diego Garcia (Republicanos-PR), havia recomendado a manutenção do mandato, alegando falta de provas da participação direta da parlamentar. Sua análise foi rejeitada. No Plenário, Garcia voltou a criticar a acusação, afirmando que elementos atribuídos ao relatório policial “não estavam lá”.
A defesa de Zambelli, representada por Fábio Pagnozzi, classificou como frágeis as provas que embasaram a condenação e argumentou que a decisão da Câmara poderia influenciar sua situação na Itália. Pagnozzi afirmou que a deputada teria cogitado renunciar, mas buscava preservar “dignidade”.
A votação dividiu os parlamentares. Para Jandira Feghali (PCdoB-RJ), vice-líder do governo, não havia sentido submeter ao Plenário o caso de uma deputada já condenada e presa. Já Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada, defendeu que a perda do mandato deveria ser tratada exclusivamente pela Mesa Diretora. Júlio Lopes (PP-RJ) rebateu, afirmando que Zambelli só ultrapassaria o limite constitucional de faltas em fevereiro de 2026. A líder da Minoria, Chris Tonietto (PL-RJ), classificou a cassação como perpetuação de uma “injustiça”.
Câmara suspende Glauber Braga por seis meses
Também nesta quarta-feira (10), o Plenário decidiu suspender o mandato do deputado Glauber Braga (Psol-RJ) por seis meses. A punição substitui a cassação e a inelegibilidade de oito anos inicialmente recomendadas pelo Conselho de Ética. A alteração foi proposta em destaque pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) e recebeu apoio do Psol e do PT.
O destaque foi aprovado por ampla maioria: 318 votos a favor, 141 contra e 3 abstenções. Glauber era acusado de quebra de decoro parlamentar. Em discurso no Plenário, respondeu às acusações em tom desafiador:
“Não posso pedir desculpas por defender uma mulher honrada que morreu poucos dias depois. Não posso”, afirmou, referindo-se a ataques sofridos por um militante de extrema direita, aos quais revidou.
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