Seis suspeitos identificados na execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
As investigações também apuram o possível envolvimento de um policial militar, irmão do proprietário de um imóvel usado como base pelos criminosos
A Polícia Civil de São Paulo já identificou seis suspeitos de envolvimento na morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, assassinado a tiros de fuzil na última segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral paulista. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgou as imagens dos investigados nos últimos dias.
Dois deles estão presos: Dahesly Oliveira Pires, apontada como responsável por transportar o fuzil usado no crime, e Luiz Henrique Santos Batista, conhecido como “Fofão”, detido nesta sexta-feira (19), acusado de auxiliar na fuga de um dos executores.
Outros quatro seguem foragidos: Felipe Avelino da Silva, o “Mascherano”, e Flávio Henrique Ferreira de Souza, ambos identificados por DNA encontrado em um dos veículos utilizados na ação; Luis Antônio Rodrigues de Miranda, que teria pedido a uma mulher para buscar um dos fuzis; e Rafael Marcell Dias Simões, com duas condenações por sequestro, cuja prisão foi decretada, mas cuja participação no crime ainda não foi detalhada.
Suspeita de participação de policial militar
As investigações também apuram o possível envolvimento de um policial militar, irmão do proprietário de um imóvel usado como base pelos criminosos. O endereço, localizado no bairro Jardim Imperador, teria servido de “QG” para os preparativos da execução. No local, a perícia encontrou ao menos 40 digitais, incluindo as do PM investigado e de seu irmão.
A descoberta ocorreu após denúncia de vizinhos que relataram movimentação suspeita na véspera do crime. Dahesly Oliveira, já presa, teria deixado a residência transportando o armamento utilizado no ataque.
Segundo a diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, a perícia realizada no imóvel deve ajudar a identificar outros envolvidos. Autoridades da SSP não descartam a participação de agentes públicos, lembrando que Ruy Ferraz acumulava inimigos tanto no crime organizado — em especial o PCC, do qual foi um dos principais investigadores — quanto dentro da própria corporação.
Execução registrada em vídeo
Imagens de câmeras de segurança registraram a emboscada. O carro de Ruy Ferraz colidiu com um ônibus e capotou após ser interceptado. Em seguida, homens encapuzados, usando coletes à prova de balas, desceram de outro veículo e dispararam diversas vezes contra o ex-delegado.
Trajetória de Ruy Ferraz
Com 40 anos de carreira na Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes foi delegado de diversas divisões estratégicas, incluindo o DHPP, o Denarc e o Deic. Chegou a ocupar o cargo máximo de Delegado-Geral de Polícia de São Paulo e também dirigiu o Decap.
Especialista em facções criminosas, foi considerado o principal inimigo do PCC nos anos em que esteve à frente das investigações contra a organização. Fora da polícia, também atuou como professor universitário em áreas ligadas à criminologia e investigação.
Desde janeiro de 2023, exercia o cargo de secretário de Administração de Praia Grande, onde permaneceu até ser executado. A SSP afirma que nenhuma linha de investigação está descartada e que a motivação do crime segue sob apuração.
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