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Rodovalho critica Flávio e defende Michelle na disputa

Bispo da Sara Nossa Terra aponta desgaste do senador entre evangélicos e vê Michelle Bolsonaro como alternativa eleitoral


Reprodução Rodovalho critica Flávio e defende Michelle na disputa
Rodovalho critica Flávio e defende Michelle na disputa

O bispo Robson Rodovalho, líder da Igreja Sara Nossa Terra e atual aliado próximo de Jair Bolsonaro, criticou a condução de Flávio Bolsonaro diante do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e atribuiu a queda do senador nas pesquisas à perda de confiança entre os evangélicos. Em entrevista, defendeu maior transparência por parte do parlamentar e afirmou que Michelle Bolsonaro deveria ter participação central nas articulações eleitorais da direita, chegando a apoiar seu nome como possível candidata ou integrante de uma chapa majoritária.

O que aconteceu

Após críticas de Silas Malafaia a Flávio Bolsonaro, o bispo Robson Rodovalho também passou a questionar a atuação do senador e manifestou apoio à participação de Michelle Bolsonaro como representante do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro em uma futura disputa presidencial.

Rodovalho, que assumiu maior proximidade com Bolsonaro após o afastamento de Malafaia, avaliou que a queda de Flávio nas pesquisas está relacionada ao episódio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo ele, o desgaste ocorreu principalmente porque o senador teria negado inicialmente qualquer relação com o empresário, o que acabou sendo contradito posteriormente.

Na avaliação do bispo, a incoerência entre o discurso e os fatos tem forte impacto entre os eleitores evangélicos. Ele afirmou que esse público costuma ser rigoroso com questões ligadas à honestidade e considera especialmente grave quando declarações públicas não correspondem à realidade.

Rodovalho argumentou que Flávio deveria ter tratado o tema de forma transparente desde o início. Para ele, caso os recursos envolvidos fossem privados e destinados à produção de um filme, não haveria motivo para ocultar informações. O líder religioso também defendeu que o senador abra imediatamente as contas da empresa Dark Horse para tentar recuperar a confiança perdida.

Segundo o bispo, a sucessão de controvérsias gerou desconfiança entre os evangélicos, que passaram a questionar a credibilidade do parlamentar. Para reverter esse cenário, ele afirmou que Flávio precisaria reconhecer os erros, pedir desculpas e demonstrar arrependimento, em vez de esperar que o assunto perca relevância com o tempo.

Rodovalho também comentou a atuação de Daniel Vorcaro, afirmando que o banqueiro teria construído relações de proteção institucional para viabilizar fraudes. Ao abordar a ligação do empresário com a Igreja da Lagoinha, liderada por André Valadão, reconheceu que as suspeitas envolvendo instituições religiosas trazem desgaste para o segmento evangélico.

Durante a entrevista, o bispo utilizou a história bíblica de Roboão para ilustrar sua crítica a Flávio Bolsonaro. Segundo ele, assim como o filho do rei Salomão acreditou que herdaria naturalmente a liderança sem esforço próprio, o senador não deveria presumir que possui apoio automático dos evangélicos apenas pelo legado político do pai. Para Rodovalho, Flávio precisa consolidar sua própria liderança dentro desse eleitorado.

Ao comentar os rumos da direita para a eleição presidencial, o líder da Sara Nossa Terra demonstrou preocupação com o cenário político atual e afirmou que será necessário um movimento estratégico para enfrentar o crescimento de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas.

Nesse contexto, Rodovalho passou a defender uma participação mais ativa de Michelle Bolsonaro. Segundo ele, a ex-primeira-dama possui capacidade de mobilização junto ao eleitorado feminino, aos jovens e até mesmo a segmentos que tradicionalmente não apoiam a direita. Para o bispo, sua ausência na campanha tem prejudicado o desempenho de Flávio.

Questionado sobre a possibilidade de Michelle assumir protagonismo eleitoral, Rodovalho afirmou que a decisão caberia exclusivamente a Jair Bolsonaro e à própria família. Ainda assim, declarou que apoiaria uma candidatura da ex-primeira-dama ou sua participação como vice em diferentes composições políticas, inclusive ao lado de Rogério Marinho, Ronaldo Caiado ou do próprio Flávio Bolsonaro. Para ele, o mais importante é que Michelle esteja engajada na campanha.

A defesa do nome da ex-primeira-dama não é recente. Em fevereiro, após visitar Jair Bolsonaro na prisão e consolidar sua posição como principal conselheiro espiritual do ex-presidente, Rodovalho participou de um encontro ao lado de Michelle Bolsonaro e do deputado Nikolas Ferreira. Na ocasião, fez uma oração em que se referiu a Michelle como uma “grande líder” para o país.

Depois da visita, o bispo também publicou nas redes sociais um relato sobre o estado emocional e físico de Bolsonaro. Segundo ele, o ex-presidente demonstrava sinais de maior equilíbrio, embora ainda estivesse abalado após uma crise de pressão alta. Rodovalho relatou que Bolsonaro se mostrou emocionado durante a conversa, reafirmou sua fé e manifestou confiança de que conseguirá superar as dificuldades enfrentadas.

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