Política

Ricardo Galvão assume vaga de Boulos na Câmara

Físico assume vaga deixada por Guilherme Boulos e promete fortalecer a ciência e ampliar recursos para pesquisa no Congresso Nacional.


Reprodução/Lucas Lacaz Ruiz / A13 Ricardo Galvão assume vaga de Boulos na Câmara
Ricardo Galvão assume vaga de Boulos na Câmara

O físico Ricardo Galvão anunciou que deixará a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para assumir o mandato de deputado federal, ocupando a vaga deixada por Guilherme Boulos, atual ministro das Cidades. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (30) em suas redes sociais.

Galvão foi candidato nas eleições de 2022 e obteve 40.365 votos. Agora, passa a integrar a Câmara dos Deputados. “A voz da ciência no Congresso Nacional. Em 2019, o negacionismo tentou calar a ciência. Mas resistimos. Em 2022, o povo mobilizado derrotou o autoritarismo. Hoje, a ciência brasileira ocupa um lugar na Câmara dos Deputados”, escreveu em comunicado oficial.

Compromisso com a ciência

Em sua mensagem de despedida, o físico afirmou deixar o CNPq com o sentimento de dever cumprido e agradeceu a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

“A ciência é o caminho, a democracia é o alicerce e a sustentabilidade é o destino. Sigo à disposição de São Paulo e do Brasil, com fé na razão, na solidariedade e na esperança de um futuro justo e possível”, declarou.

Decisão após conversas com Marina Silva e Boulos

Inicialmente, Galvão havia demonstrado dúvida sobre assumir o mandato devido ao curto período restante. O impasse foi resolvido após conversas com Marina Silva e Guilherme Boulos, que o asseguraram de que permanecerá no cargo ao menos até março de 2026.

“Conversei com a ministra e com Boulos, que me garantiram que isso não deve mudar e que eu teria a cadeira até pelo menos março do ano que vem. Com isso, decidi deixar o conselho e assumir o cargo”, explicou, após reunião realizada em 23 de outubro.

O novo deputado afirmou que pretende integrar a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, com foco em ampliar o orçamento destinado às instituições de pesquisa. “Temos várias unidades de pesquisa com poucos recursos, e o meu objetivo é ajudar a mudar isso”, disse.

Galvão acrescentou ainda que, por enquanto, não tem planos eleitorais de longo prazo. “Faço parte de uma rede de pesquisadores engajados que quer levar o debate científico ao Congresso. Caso não haja nova candidatura, continuarei apoiando a ciência como sempre fiz — nos bastidores”, declarou ao portal.

Trajetória marcada por embates e reconhecimento internacional

Doutor em Física pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Ricardo Galvão ganhou projeção nacional em 2019, quando foi exonerado da direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) após confrontar o então presidente Jair Bolsonaro sobre os dados de desmatamento na Amazônia.

No mesmo ano, foi reconhecido pela revista Nature como um dos dez cientistas mais influentes do mundo. Em 2021, recebeu o prêmio internacional da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) na categoria Liberdade e Responsabilidade Científica. Também foi condecorado por Lula com a Ordem Nacional do Mérito Científico.

Uma vida dedicada à ciência

Professor aposentado do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), Galvão dirigiu o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) entre 2004 e 2011 e presidiu a Sociedade Brasileira de Física de 2013 a 2016.

Membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, é especialista em física de plasmas e fusão nuclear controlada — áreas às quais dedicou mais de quatro décadas de carreira científica.

Siga nas redes sociais

Deixe sua opinião: