Rendição de Ciro Nogueira, Arthur Lira e Hugo Motta a Lula
Os três expoentes da oposição lulista, temendo derrota eleitoral, prometem neutralidade nas próximas eleições
Por Plinio Teodoro, jornalista, na Fórum
Em meio aos acenos de seu presidente, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ao Planalto, o PP está selando acordo para dar palanque a Lula em sete Estados no Nordeste, entre eles o Piauí, que estaria sendo tratado diretamente com o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), que teme não se reeleger sem o apoio do petista.
Dirigentes do PT e do PP negociam aliança ou neutralidade nos estados do Piauí, Paraíba, Maranhão, Ceará, Alagoas, Bahia e Pernambuco. Nogueira já teria acertado não lançar chapa em seu Estado, onde Lula terá Rafael Fonteles como candidato à reeleição com apoio de MDB e PSD.
Em Alagoas, o medo de não conseguir a reeleição fez com que Arthur Lira (PP-AL) se coloque ao menos na neutralidade no Estado, que tem ainda o atual presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, que também não deve atrapalhar os planos de Lula no Estado.
Na Paraíba, Lucas Ribeiro, candidato do PP ao governo estadual, declarou seu apoio a Lula. E na Bahia, o partido de Ciro Nogueira faz parte do governo Jerônimo Rodrigues e deve ser oposição ao projeto de ACM Neto, do União Brasil.
As negociações nos Estados têm auxiliado o recuo de Ciro Nogueira, que tem feito acenos e elogiado Lula em entrevistas recentes, chamando o presidente de “grande líder” e dizendo que nunca foi “inimigo” do petista.
“Não sou inimigo do presidente Lula. Acho que ele foi um grande presidente nas primeiras gestões, mas não voltou da forma que o brasileiro tinha de expectativa”, afirmou em entrevista ao SBTNews neste domingo (9).
No Nordeste e Norte, Lula também já tem o apoio do MDB, que sonda a vice, em ao menos 11 estados: Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. O partido, no entanto, segue rachado nos estados do Sudeste, Centro-Oeste e Sul.
Chapa
Nesta segunda-feira (10), Lula recebeu no Planalto o presidente nacional do PSB, João Campos, que voltou a pedir que Geraldo Alckmin seja mantido como vice na chapa que disputará a reeleição em outubro.
“Acabo de sair de mais uma extraordinária reunião com o presidente Lula. Estamos alinhados e sintonizados. Muito feliz de poder construir conjuntamente um caminho que vai nos ajudar a consolidar importantes conquistas para o futuro de Pernambuco e do Brasil”, escreveu na rede X.
Em entrevista após o encontro com o presidente, o prefeito reeleito do Recife, que lidera as intenções de votos ao governo do Estado contra Raquel Lyra (PSDB), defendeu abertamente a manutenção da chapa vencedora em 2022.
“Para o partido é importante a manutenção do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa. Ele [Lula] sabe que para o nosso partido é muito importante essa construção. Tenho certeza que os dois vão construir da melhor forma”, afirmou.
Lula já sinalizou que gostaria que Alckmin cumprisse um “papel” na eleição de São Paulo, sondando o vice para candidatura ao governo ou ao Senado no Estado.
Mas, segundo Edinho Silva, presidente do PT, Alckmin deve ser mantido na chapa majoritária. “Se ele entender que nas eleições de 2026 o melhor papel que ele pode cumprir é continuar na vice, nós respeitaremos”, disse nesta terça-feira.
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