Ratinho Jr. é a “bola da vez” da direita
Com Tarcísio fora da disputa presidencial, Ratinho Jr. assume protagonismo nas articulações da direita para 2026, com apoio crescente do PSD.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) vai comunicar pessoalmente a Jair Bolsonaro (PL), nesta segunda-feira (29), que disputará a reeleição ao governo de São Paulo em 2026. O encontro, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), recoloca o nome de Ratinho Jr (PSD), governador do Paraná, como principal aposta da direita para a sucessão presidencial, segundo apuração do UOL.
Segundo aliados, Tarcísio reafirmará “olho no olho” o que já vem declarando em entrevistas: não cogita concorrer ao Planalto. Interlocutores dizem que ele sempre teve a reeleição como prioridade e evita se envolver nas articulações presidenciais.
A justificativa é que quatro anos são insuficientes para consolidar um legado, concluir obras e implementar políticas públicas duradouras. Além disso, há receio de queimar etapas — João Doria é citado como exemplo de uma aposta precipitada que não deu certo.
Entre discurso e articulações
Apesar do discurso focado em São Paulo, Tarcísio manteve presença ativa em Brasília, participou de eventos da direita, encontros com líderes partidários e se posicionou como defensor do indulto aos presos do 8 de Janeiro. Em uma dessas articulações, reuniu-se com Hugo Motta (Republicanos-PB), apontado como nome forte para a presidência da Câmara e peça-chave para a votação da proposta de anistia.
No último 7 de Setembro, o governador paulista também radicalizou o tom contra o STF, chegou a pedir “fora, Moraes” e declarou: “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”.
Ratinho Jr ganha espaço
Com a sinalização de que Tarcísio ficará em São Paulo, o nome de Ratinho Jr ganha fôlego como alternativa do campo bolsonarista para 2026. Ele tem intensificado viagens pelo país, promovido encontros com o setor produtivo em São Paulo e costurado apoios políticos.
Gilberto Kassab, presidente do PSD, articula alianças e promove jantares com possíveis apoiadores. Ratinho Jr também se mostra ativo na defesa da anistia, o que fortalece sua ponte com o eleitorado conservador.
Seus aliados destacam atributos como o alinhamento com o agronegócio, a boa recepção entre evangélicos — em parte por conta da imagem do pai, o apresentador Ratinho — e a promessa de romper com a polarização entre Lula e Bolsonaro, focando “nos problemas reais do país”.
Desafios e resistências
Apesar da ascensão, Ratinho Jr enfrenta questionamentos. Parlamentares como Luiz Lima (Novo-RJ) argumentam que sua popularidade ainda não foi suficientemente testada fora de um estado majoritariamente conservador, como o Paraná. Já Tarcísio e Romeu Zema, segundo esses críticos, são mais representativos por governarem estados mais diversos e populosos.
Decisão final será de Bolsonaro
No PL, a avaliação é unânime: a decisão sobre quem representará o bolsonarismo em 2026 caberá exclusivamente a Jair Bolsonaro. Os parlamentares acreditam que o candidato escolhido herdará o espólio político do ex-presidente e terá vaga garantida no segundo turno.
O apoio de Bolsonaro, no entanto, virá com uma condição: o compromisso com o indulto ao ex-presidente e a anulação das condenações impostas pelo STF. Eles lembram que, antes de ser impedido de se manifestar politicamente, Bolsonaro chegou a citar Ratinho Jr como possível sucessor — e, como se costuma dizer, “não há coincidências na política”.
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