Racha na família Bolsonaro ameaça plano de Flávio para 2026
Valdemar Costa Neto embarca para os EUA com o objetivo de dialogar com Eduardo Bolsonaro e tentar reorganizar a estratégia política da família
A possível candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República enfrenta resistências internas que podem comprometer sua viabilidade política antes mesmo de se consolidar. Nos bastidores, aliados próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro demonstram divergências — algumas discretas, outras públicas — em relação ao nome do senador como herdeiro do capital político da família. As informações são do jornalista Ricardo Noblat, do portal Metrópoles.
Enquanto lida com questões de saúde e se prepara para um novo procedimento cirúrgico no ombro direito — após exames confirmarem uma lesão de alto grau —, Jair Bolsonaro tem mantido distância das disputas internas. Ainda assim, o entorno familiar segue em ebulição, especialmente diante do desconforto de Michelle Bolsonaro e de aliados próximos, que não teriam assimilado a escolha de Flávio como pré-candidato.
Críticas públicas e desgaste político
A tensão ganhou novos contornos após declarações do maquiador Agustin Fernandez, amigo de longa data de Michelle, em entrevista ao canal Iron Studios. Ele questionou a capacidade de Flávio Bolsonaro de dialogar com as classes populares e projetou dificuldades eleitorais para o senador.
“O estereótipo do Flávio é o que a direita já teve e, por conta disso, nunca chegou à Presidência. [...] Ele não se conecta com a empregada doméstica, nem com o vendedor ambulante. [Michelle] é a única que consegue herdar 100% do capital político de Bolsonaro”, afirmou.
Agustin também declarou que não pretende apoiar a eventual candidatura de Flávio, alegando falta de competitividade diante de adversários e criticando o timing político do senador. Segundo ele, foi “deplorável” o anúncio da pré-candidatura enquanto Jair Bolsonaro estava hospitalizado para uma cirurgia.
Disputa interna na família Bolsonaro
As declarações reforçam a percepção de divisão dentro do núcleo bolsonarista. Mesmo que não haja confirmação de que Agustin tenha falado em nome de Michelle, a proximidade entre os dois levanta suspeitas sobre um possível alinhamento de discurso.
Antes da movimentação de Flávio, Michelle Bolsonaro vinha sendo apontada como um dos principais nomes da direita para 2026, com potencial para disputar a Presidência ou compor como vice em uma eventual chapa liderada por Tarcísio de Freitas. Com o novo cenário, a ex-primeira-dama pode ter como alternativa uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal — caminho considerado viável, mas insuficiente para seus aliados mais próximos.
Articulação política e tentativa de contenção
Diante das tensões, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, deve intensificar articulações para conter a crise interna. Segundo a reportagem, ele embarca para os Estados Unidos com o objetivo de dialogar com Eduardo Bolsonaro e tentar reorganizar a estratégia política da família.
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