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Quem são os deputados privilegiados que concentram R$ 1,5 bilhão em verbas públicas

Julio Arcoverde lidera ranking de recursos


Reprodução Quem são os deputados privilegiados que concentram R$ 1,5 bilhão em verbas públicas
Julio Arcoverde, Hugo Mota, e Marcos Pereira

Julio Arcoverde, Hugo Motta e Marcos Pereira estão entre os deputados que mais concentraram recursos de emendas de comissão em 2025, segundo levantamento que revela a distribuição desigual de verbas públicas na Câmara dos Deputados.

Um grupo restrito de parlamentares, liderado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), concentrou cerca de R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão, evidenciando forte assimetria no acesso a recursos orçamentários. Os dados foram obtidos a partir de atas do Congresso Nacional e analisados pela Folha de S.Paulo, após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) ampliarem a transparência dessas verbas.

Deputados concentram R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão

De acordo com o levantamento, sete deputados controlaram aproximadamente um quinto dos R$ 7,5 bilhões distribuídos pelas comissões da Câmara em 2025. Cada um desses parlamentares indicou valores superiores a R$ 100 milhões, enquanto os demais 423 deputados dividiram cerca de R$ 6 bilhões — uma média de R$ 14 milhões por parlamentar.

Além disso, 83 congressistas não registraram indicações formais, embora possam ter sido contemplados indiretamente por meio de lideranças partidárias.

Julio Arcoverde lidera ranking de recursos

O deputado Julio Arcoverde (PP-PI) aparece no topo da lista, com R$ 244,3 milhões em emendas indicadas. Em nota, a assessoria do parlamentar afirmou que os recursos foram destinados de forma regular ao Piauí, com foco em infraestrutura, saúde e apoio aos municípios.

Na sequência, surge Hugo Motta (Republicanos-PB), com R$ 180,5 milhões. Parte dos recursos foi direcionada a municípios da Paraíba cujos prefeitos apoiam politicamente a pré-candidatura ao Senado de seu pai, Nabor Wanderley. Motta afirmou que a distribuição seguiu critérios partidários e priorizou áreas estratégicas como saúde e infraestrutura.

Outro nome de destaque é o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente nacional do partido, que indicou R$ 138,2 milhões. Segundo ele, a maior concentração de recursos entre líderes partidários é histórica e ocorre em função de suas funções políticas.

Lideranças partidárias concentram quase R$ 1 bilhão

Além das indicações individuais, líderes de partidos como PP, União Brasil, Republicanos e PL concentraram juntos mais de R$ 930 milhões em emendas. Nesse modelo, os recursos são registrados em nome das lideranças, o que pode dificultar a identificação do parlamentar responsável — prática que contraria diretrizes do STF sobre transparência.

Deputados criticam desigualdade na distribuição

Parlamentares ouvidos pela reportagem relataram insatisfação com a distribuição dos recursos. Segundo eles, o modelo atual favorece um grupo restrito com maior influência política e desrespeita acordos internos da Câmara.

A fragmentação das votações ao longo do ano teria dificultado a percepção imediata da concentração. Apenas com a consolidação dos dados foi possível identificar a dimensão da desigualdade.

STF exigiu mais transparência após fim do “orçamento secreto”

As emendas de comissão ganharam protagonismo após o STF declarar inconstitucional o modelo das chamadas emendas de relator, conhecidas como “orçamento secreto”. Como resposta, os Poderes firmaram um acordo para ampliar a transparência, exigindo identificação dos autores e registro formal das indicações.

Apesar disso, o levantamento aponta que cerca de R$ 1,1 bilhão ainda foi distribuído por meio de mecanismos que dificultam a rastreabilidade, como indicações feitas em nome de lideranças partidárias.

Desafio persiste na transparência do orçamento público

O cenário evidencia que, mesmo após decisões do STF, persistem distorções na distribuição de recursos públicos e desafios para garantir transparência total no processo orçamentário brasileiro. A concentração de verbas em poucos parlamentares reacende o debate sobre critérios de توزيع e controle no uso das emendas parlamentares.

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