Política

PT defende fortalecimento de políticas para pessoas com deficiência

Evento nacional destaca participação política, direitos humanos e desafios de empregabilidade e acessibilidade no Brasil


Pensar Piauí PT defende fortalecimento de políticas para pessoas com deficiência
PT defende fortalecimento de políticas para pessoas com deficiência

Em entrevista ao jornalista Oscar de Barros, do Pensar Piauí, no domingo (26), durante o 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), a pauta das pessoas com deficiência ganhou destaque como eixo central de debate político e de formulação de políticas públicas.

No encontro, dirigentes do setorial da pessoa com deficiência ressaltaram avanços, desafios e a necessidade de ampliar a participação social e econômica desse segmento no país. Segundo a representante do Setorial Nacional da Pessoa com Deficiência, Ana Paula, o partido tem buscado consolidar a diretriz do “nada sobre nós sem nós”, defendendo que pessoas com deficiência não apenas sejam beneficiárias de políticas públicas, mas protagonistas na sua construção e implementação.

Ela destacou que governos do PT, especialmente nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, contribuíram para avanços estruturais, como a ratificação da Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência. O documento reforça a compreensão da deficiência como resultado também de barreiras sociais, e não apenas de condições individuais.

Inclusão, acessibilidade e combate ao capacitismo

Um dos pontos centrais do debate foi o combate ao capacitismo, termo utilizado para definir a discriminação contra pessoas com deficiência. Para a dirigente, essa forma de preconceito ainda se manifesta na subestimação da capacidade dessas pessoas e na ausência de acessibilidade em diferentes espaços sociais.

Entre as medidas defendidas estão a ampliação de recursos de acessibilidade como a Língua Brasileira de Sinais (Libras), legendas, comunicação em linguagem simples e adaptações urbanas, como calçadas acessíveis. A proposta é garantir autonomia e participação plena em diferentes esferas da vida pública.

Economia da inclusão e empregabilidade

O congresso também trouxe à tona o conceito de “economia da inclusão”, defendendo que a política para pessoas com deficiência deve ir além da assistência social e avançar para a geração de emprego e renda. 

A proposta apresentada é ampliar a empregabilidade e criar condições para desenvolvimento profissional, evitando que pessoas com deficiência fiquem restritas a empregos de baixa remuneração. O debate também inclui investimentos na formação de profissionais como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, considerados essenciais para o desenvolvimento da autonomia desde a infância.

Políticas públicas e cuidado

Outro eixo destacado foi a Política Nacional de Cuidados, que busca estruturar redes de apoio às famílias e reduzir a sobrecarga, especialmente sobre mulheres cuidadoras. A iniciativa é apresentada como estratégica para garantir maior autonomia às pessoas com deficiência e fortalecer serviços públicos de saúde e assistência social.

Experiência no Piauí como referência

Durante a entrevista, também foi citado o caso do Piauí como exemplo de políticas estaduais estruturadas, com destaque para redes de reabilitação, investimentos em serviços especializados e a criação de uma secretaria voltada aos direitos da pessoa com deficiência, considerada pioneira no país.

A avaliação apresentada é de que a presença de pessoas com deficiência em cargos de gestão pública representa um avanço na representação política e na formulação de políticas mais efetivas, reduzindo práticas assistencialistas e ampliando a perspectiva de direitos.

Desafio estrutural

O debate reforçou que a inclusão plena ainda depende de mudanças estruturais no Estado e na sociedade. A deficiência, segundo a Ana Paula, não deve ser tratada como um problema individual ou familiar, mas como uma questão coletiva que exige planejamento, orçamento público e compromisso institucional.

A mensagem central do encontro foi a defesa de um modelo de sociedade mais inclusivo, em que acessibilidade, trabalho digno e participação política sejam garantidos como direitos fundamentais.

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