Política

Prefeito ameaça cortar saúde, educação e empregos de aldeia indígena durante protesto na BR-422

"Eu posso, então, cortar todos os empregos, tirar tudo de saúde, de educação, de transporte daí de dentro", disse o prefeito


Reprodução Prefeito ameaça cortar saúde, educação e empregos de aldeia indígena durante protesto na BR-422
Alexandre Siqueira (MDB)

O prefeito de Tucuruí, Alexandre Siqueira (MDB), tornou-se alvo de críticas após ameaçar cortar serviços públicos e empregos destinados à Aldeia Trocará, da comunidade indígena Assurini, durante uma reunião realizada para negociar o fim de um protesto na rodovia BR-422, no sudeste do Pará.

O episódio aconteceu na quinta-feira, 25 de junho de 2026, e ganhou ampla repercussão nas redes sociais após a divulgação de um vídeo que registra a discussão entre o gestor municipal e os manifestantes indígenas.

Entenda o protesto na BR-422

O bloqueio foi realizado por indígenas da Aldeia Trocará, que interditaram o quilômetro 19 da BR-422 para cobrar melhorias na infraestrutura da região, especialmente nas estradas de acesso à comunidade, além do cumprimento de compromissos assumidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

A manifestação teve início na segunda-feira, 22 de junho, e durou quatro dias, afetando o tráfego de veículos na rodovia.

O que disse o prefeito de Tucuruí?

Durante a reunião com os manifestantes, Alexandre Siqueira afirmou que a Prefeitura de Tucuruí não possuía pendências com a aldeia e argumentou que as reivindicações eram direcionadas ao governo federal, por meio do DNIT.

Em seguida, ao exigir a liberação imediata da rodovia, o prefeito fez uma declaração que provocou forte reação pública. "Eu posso, então, cortar todos os empregos, tirar tudo de saúde, de educação, de transporte daí de dentro."

A fala foi interpretada por diversos internautas e lideranças como uma ameaça de suspensão de serviços públicos essenciais caso o protesto continuasse.

Vídeo repercute nas redes sociais

As imagens da reunião passaram a circular rapidamente nas redes sociais, gerando críticas ao posicionamento do prefeito.

Usuários destacaram que áreas como saúde, educação e transporte são direitos assegurados pela Constituição Federal e não podem ser condicionados ao encerramento de manifestações ou utilizados como instrumento de pressão política.

Protesto terminou após negociação

Apesar do clima de tensão durante a reunião, as negociações avançaram e, ainda na quinta-feira (25), a BR-422 foi desobstruída, encerrando quatro dias de bloqueio realizados pelos indígenas da Aldeia Trocará.

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