Plenário ou teatro? Bolsonaristas usam esparadrapo na boca e viram memes
Bolsonaristas ocupam plenário, apresentam “pacote da paz” e prometem obstruir votações em resposta à prisão domiciliar determinada pelo STF.
Parlamentares da base aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) organizaram, nesta terça-feira (5), um protesto na Câmara dos Deputados contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro. Em reação, deputados e senadores anunciaram que irão obstruir os trabalhos legislativos como forma de pressionar o Judiciário e o governo.
O protesto começou com uma coletiva de imprensa realizada do lado de fora do Congresso Nacional. Os parlamentares, com esparadrapos na boca em ato simbólico, criticaram o que consideram uma perseguição judicial ao ex-presidente. Em seguida, o grupo ocupou o plenário da Câmara dos Deputados e apresentou o chamado “pacote da paz”, uma série de propostas legislativas voltadas aos apoiadores de Bolsonaro.
Entre as medidas defendidas estão:
Anistia ampla e irrestrita aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023;
Fim do foro privilegiado para parlamentares;
Pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A manifestação contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, e de líderes da oposição como Rogério Marinho (PL-RN). O grupo também atacou a recente decisão do STF que manteve a prerrogativa da Corte para julgar crimes cometidos por autoridades mesmo após o fim do mandato.
“O foro foi ampliado justamente, na nossa opinião, para que o ex-presidente Bolsonaro fosse alcançado por uma Turma do Supremo”, afirmou Marinho.
O deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), vice-presidente da Câmara, declarou que, se assumir a presidência da Casa interinamente, pautará a proposta de anistia, independentemente da posição do atual presidente em exercício, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A mobilização, no entanto, tem enfrentado resistência dentro do próprio Congresso. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram parlamentares bolsonaristas se comunicando por mímica no plenário, o que gerou piadas e críticas. O deputado federal Professor Reimont (PT-RJ) afirmou que os manifestantes foram deixados de lado até por partidos do Centrão, como PP e União Brasil.
Apesar disso, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), declarou apoio à obstrução. A liderança do PL na Câmara, por meio do deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que as ações estão sendo articuladas com outras legendas e que a oposição só recuará “quando houver diálogo e uma pauta de pacificação”.
A principal estratégia anunciada é a obstrução das votações por tempo indeterminado, incluindo a ocupação da mesa diretora da Câmara como forma de protesto. A PEC que extingue o foro privilegiado, já aprovada pelo Senado em 2018 e parada na Câmara desde então, voltou ao centro das discussões da base bolsonarista.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reuniu-se com lideranças partidárias ao longo do dia para traçar os próximos passos da ofensiva no Congresso.
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