Saúde

Peste negra: americano é diagnosticado com a doença após picada de pulga

Morador de South Lake Tahoe é diagnosticado com a doença rara. Autoridades reforçam alerta sobre riscos em áreas com roedores silvestres


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Peste é uma doença infeciosa causada pela bactéria Yersinia pestis

Um morador de South Lake Tahoe, na Califórnia, foi diagnosticado com peste bubônica — também conhecida como peste negra. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (22) pelo Departamento de Saúde Pública do estado, segundo reportagem do jornal O Globo. O paciente está se recuperando em casa, sob acompanhamento médico.

Segundo autoridades sanitárias, a infecção provavelmente foi causada pela picada de uma pulga infectada durante um acampamento na região. O caso segue sob investigação. “A peste está naturalmente presente em várias regiões da Califórnia, incluindo áreas de altitude elevada no Condado de El Dorado. É essencial que as pessoas adotem medidas de precaução, tanto para si quanto para seus animais de estimação, principalmente ao caminhar, fazer trilhas ou acampar em locais com presença de roedores silvestres”, alertou Kyle Fliflet, diretor interino de Saúde Pública do condado.

O que é a peste bubônica?

A doença é provocada pela bactéria Yersinia pestis e ficou conhecida como peste negra durante as pandemias dos séculos XIV e XV, que mataram entre 75 e 200 milhões de pessoas — até metade da população da Europa, Ásia e África na época. O nome “negra” faz referência à necrose causada pela gangrena nos tecidos das extremidades do corpo.

Atualmente, a infecção é rara e, quando diagnosticada precocemente, pode ser tratada com antibióticos de forma eficaz. No entanto, os sintomas podem ser graves e surgem até duas semanas após a exposição: febre, náusea, fraqueza e ínguas (linfonodos inchados) são os mais comuns.

Casos nos Estados Unidos

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a peste chegou aos Estados Unidos por volta de 1900, trazida por ratos em navios oriundos de regiões afetadas. As últimas epidemias ocorreram em cidades portuárias, sendo a mais recente em Los Angeles entre 1924 e 1925. Desde então, a bactéria se estabeleceu em populações de roedores silvestres no oeste do país, incluindo a Califórnia.

Desde o ano 2000, os Estados Unidos registram, em média, menos de dez casos humanos por ano. No Condado de El Dorado, o último caso confirmado foi em 2020, também em South Lake Tahoe. Antes disso, dois casos foram registrados em 2015 no Parque Nacional de Yosemite — ambos os pacientes se recuperaram após tratamento.

Prevenção e vigilância

A transmissão da peste ocorre principalmente por meio da picada de pulgas infectadas, que vivem em roedores como esquilos e ratos silvestres. Animais domésticos, como cães e gatos, também podem trazer pulgas contaminadas para dentro das casas. Por isso, as autoridades recomendam evitar contato com roedores, não permitir que pets explorem tocas e manter cuidados redobrados em áreas de trilha ou acampamento.

Entre 2021 e 2024, 41 esquilos deram positivo para a bactéria na Califórnia. Em 2025, outros quatro casos já foram identificados. O monitoramento constante desses animais é considerado essencial para a prevenção de novos surtos.

Situação no Brasil

No Brasil, o último caso de peste bubônica foi registrado em 2005, no município de Pedra Branca, no Ceará, segundo o Ministério da Saúde. Desde então, não houve novos registros da doença no país, embora áreas do Nordeste ainda permaneçam sob vigilância devido ao risco de circulação da bactéria entre roedores silvestres.

O novo caso nos Estados Unidos serve como um alerta internacional sobre a importância da vigilância epidemiológica, da prevenção e do diagnóstico precoce diante de uma enfermidade histórica que, embora rara, ainda representa risco em certas regiões do mundo.

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