Política

Para o país, ele se diz contra impostos; em SP, tributa gorjetas de 1 milhão de garçons

Governador paulista favorece grandes empresas em Brasília enquanto onera renda de trabalhadores de bares e restaurantes em São Paulo.

  • sábado, 11 de outubro de 2025
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ChatGPT Oficial da OpenAI Para o país, ele se diz contra impostos; em SP, tributa gorjetas de 1 milhão de garçons
Tarcísio tributa gorjetas de garçons em SP

A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo revela uma contradição gritante em sua “mentalidade” fiscal. Enquanto articulava em Brasília para derrubar a Medida Provisória (MP) 1303/2025 — que previa a tributação de apostas online, bancos e aplicações financeiras isentas, com potencial de arrecadar R$ 35 bilhões para 2025 e 2026 —, sua administração estadual avançava na cobrança de ICMS (4%) sobre gorjetas que excedem 10% da conta.

A MP, que beneficiaria programas sociais e infraestrutura, foi reprovada em plenário após intensa pressão de Tarcísio sobre deputados do centrão, conforme confirmou o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A medida favoreceu empresas de apostas e setores bilionários. No entanto, em São Paulo, o governador não demonstrou a mesma sensibilidade ao tributar a “caixinha” de trabalhadores de bares e restaurantes, renda essencial para cerca de 1,4 milhão de profissionais em 500 mil estabelecimentos.

A tributação de gorjetas, baseada em um decreto estadual de 2012, é alvo de críticas da Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de São Paulo (Fhoresp), que a considera “arbitrária e injusta”. A entidade ressalta que a Lei Federal 13.419/2017 isenta gorjetas de impostos por serem rendimentos voluntários destinados exclusivamente aos garçons. A Fhoresp protocolou ofício pedindo revisão e suspensão das autuações, mas a medida segue em vigor, com o objetivo de aumentar a arrecadação estadual.

A postura de Tarcísio — que se apresenta como “defensor dos cidadãos” ao bloquear impostos federais sobre setores abastados — soa incoerente diante da decisão de onerar simples trabalhadores que ganham pouco em São Paulo. Críticos, como o deputado Kiko Celeguim (PT-SP), acusam o governador de priorizar elites econômicas em detrimento das necessidades da população, especialmente em um momento de crise fiscal e social.

À medida que pavimenta sua pré-candidatura presidencial para 2026, a gestão de Tarcísio será escrutinada para esclarecer se suas decisões refletem compromisso genuíno com o bem-estar coletivo ou uma agenda alinhada a interesses privilegiados.

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