Política

“Oh! Trump, salva meu pai!”, depois da Assembleia da ONU, ideia está cada vez mais difícil

O movimento bolsonaristas, acostumado a tratar Trump como referência e aliado incondicional, viu seu maior ídolo elogiar justamente aquele que é o maior inimigo político de Bolsonaro


Reprodução “Oh! Trump, salva meu pai!”, depois da Assembleia da ONU, ideia está cada vez mais difícil
Carlos e Eduardo Bolsonaro, Donald Trump (no detalhe)

Os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump (Partido Republicano), respectivamente, foram os protagonistas da abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23), em Nova York.

Aplaudido em diferentes momentos, Lula usou sua fala para criticar de forma contundente as políticas tarifárias de Trump, classificadas por ele como chantagem econômica. Também defendeu a soberania da Justiça brasileira, lembrando que Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, teve amplo direito de defesa antes da decisão final.

Trump, por sua vez, manteve o tom negacionista ao afirmar que a crise climática é uma “farsa”. Entretanto, surpreendeu ao revelar que havia se encontrado com Lula antes do discurso, elogiando o brasileiro como “um bom líder” e afirmando que houve “química” entre os dois. Trump chegou a dizer que pretende se reunir novamente com Lula na próxima semana.

Impacto político no Brasil

O gesto, ainda que não represente mudança de posição de Trump em relação às tensões comerciais com o Brasil, provocou forte abalo no campo bolsonarista. A reação mais imediata veio de Carlos Bolsonaro, que, atônito, foi às redes sociais para falar de “direitos humanos” em defesa do pai, preso após condenação. Em tom de desespero, escreveu: “Nenhum ministro do STF se pronunciará sobre a continuidade da prisão ilegal do Presidente Jair Bolsonaro em relação à não denúncia da PGR que ‘justificaria’ a atual circunstância? Direitos humanos nessas horas existem?”

Já Eduardo Bolsonaro buscou reinterpretar as declarações de Trump. O deputado federal tentou vender a narrativa de que, ao elogiar Lula, o presidente norte-americano estaria preparando o terreno para negociar uma eventual anistia a Bolsonaro. A leitura, no entanto, não encontra respaldo prático: o abraço e os elogios de Trump não significam compromisso político real.

Constrangimento bolsonarista

Enquanto o mundo comentava a dupla Lula e Trump, o bolsonarismo parecia perdido na narrativa. O movimento, acostumado a tratar Trump como referência e aliado incondicional, viu seu maior ídolo elogiar justamente aquele que é o maior inimigo político de Bolsonaro. Para muitos, foi um baque simbólico e político.

O episódio reforça o isolamento do bolsonarismo e mostra como a conjuntura internacional pode impor constrangimentos internos. No tabuleiro da política global, Lula sai fortalecido ao projetar o Brasil como defensor do multilateralismo, enquanto Trump reafirma sua persona agressiva — mas, dessa vez, sem hostilizar o presidente brasileiro.

A IRONIA QUE VIROU MUSIQUINHA 

Nos últimos discursos, o presidente Lula tem usado de ironia para se referir às investidas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo Lula, o filho do ex-presidente passa o tempo repetindo:
“Oh! Trump, salva meu pai, Oh! Trump, salva meu pai.”

A provocação caiu no gosto popular e já circula em vídeos, memes e até em forma de cantoria em manifestações de rua, como as realizadas no último domingo. O bordão virou mote de sátira política e reforça o isolamento do bolsonarismo.

Mas, depois da Assembleia Geral da ONU, em que Trump surpreendeu ao elogiar Lula e admitir “química” entre eles, a ideia do “Oh! Trump, salva meu pai” parece ainda mais distante da realidade.

Siga nas redes sociais

Deixe sua opinião: