Oscar de Barros

O que o Pix e as terras raras têm a ver com a decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho?

Oscar de Barros afirma que a classificação do PCC e CV pode atingir o Pix e abrir disputa por terras raras


Reprodução O que o Pix e as terras raras têm a ver com a decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho?
O grande interesse dos EUA é econômico

Confesso que recebi com grande preocupação a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Diferentemente do que muitos imaginam, não acredito que essa medida tenha como principal objetivo ajudar o Brasil no combate ao crime organizado.

Na minha avaliação, a mudança do enquadramento de "organizações criminosas" para "organizações terroristas" abre caminho para que o governo norte-americano amplie seu poder de intervenção econômica e política sobre outros países, desta vez o Brasil.

Uma das consequências que considero mais preocupantes envolve o sistema financeiro brasileiro. Ao alegar combate ao terrorismo, os Estados Unidos passam a dispor de instrumentos para aplicar sanções contra bancos, instituições financeiras e sistemas de pagamento que, direta ou indiretamente, sejam apontados como utilizados por grupos classificados como terroristas.

É nesse contexto que vejo o Pix como um possível alvo. Criado pelo Banco Central, o sistema revolucionou os pagamentos no Brasil, reduziu custos para milhões de brasileiros e diminuiu significativamente a dependência das tradicionais bandeiras de cartão de crédito, (as americanas Mastercard e VIsa, principalmente). O crescimento do Pix afetou interesses econômicos bilionários e transformou o mercado financeiro nacional. Por isso, considero legítima a preocupação de que ele possa se tornar alvo de pressões ou restrições sob o argumento do combate ao terrorismo.

Mas minhas preocupações não param aí.

Também considero que a classificação das facções como organizações terroristas cria um precedente perigoso para a soberania brasileira. Historicamente, os Estados Unidos utilizaram o combate ao terrorismo como justificativa para ampliar sua atuação em diversas regiões do mundo. Temo que essa mesma lógica possa ser utilizada para aumentar a influência norte-americana sobre áreas estratégicas do Brasil.

O país possui algumas das maiores reservas de terras raras do planeta, minerais fundamentais para a indústria tecnológica, além de vastas reservas de petróleo e outros recursos naturais estratégicos. Na minha opinião, a nova classificação pode servir de argumento para futuras pressões políticas, econômicas ou até mesmo ações internacionais sob a justificativa de combate ao terrorismo.

Por isso, entendo que a discussão vai muito além do combate ao PCC e ao Comando Vermelho. Estamos diante de um debate que envolve soberania nacional, independência econômica, controle de recursos estratégicos e o futuro da autonomia brasileira.


Siga nas redes sociais

Deixe sua opinião: