Política

O golpe já não veste farda, mas sim terno e gravata e Tarcísio é quem comanda

Nomes como Tarcísio, Hugo Mota, Davi Alcolumbre, Sóstenes Cavalcante, Arthur Lira e dezenas de outros parlamentares articulam, dentro do Congresso, o que os generais de ontem faziam com tanques nas ruas.


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O golpe já não veste farda, mas sim terno e gravata e Tarcísio é quem comanda

Desde a Proclamação da República, em 1889, o Brasil tem sido marcado pela sombra dos golpes de Estado. Sempre sob forte influência militar, esses episódios moldaram os rumos da política nacional. Foi assim no golpe de 1891, quando Deodoro da Fonseca fechou o Congresso; na Revolução de 1930, que levou Vargas ao poder; no Estado Novo de 1937, instaurando uma ditadura; no golpe de 1945, que o derrubou; no movimento de 1955, que garantiu Juscelino; e, sobretudo, no golpe de 1964, que mergulhou o país em 21 anos de ditadura militar. Mesmo as tentativas frustradas, como a Intentona Comunista de 1935 ou a Revolta de Aragarças em 1959, tiveram nas Forças Armadas seu fio condutor, revelando o peso que os quartéis exerciam sobre a política brasileira.

Hoje, porém, o cenário se altera. O golpe já não veste farda, mas sim terno e gravata. A extrema direita, sob a liderança de Tarcísio de Freitas, busca forjar um novo ataque à democracia. Ao seu lado, nomes como Hugo Mota, Davi Alcolumbre, Sóstenes Cavalcante, Arthur Lira e dezenas de outros parlamentares articulam, dentro do Congresso, o que os generais de ontem faziam com tanques nas ruas. Muitos desses “engravatados” que posam de autoridades trazem consigo prontuários de investigações e processos, carregando marcas de corrupção e suspeitas de conluio.

Se o Parlamento aprovar a anistia a Jair Bolsonaro, o resultado será inequívoco: todo o esforço da Justiça brasileira, que tem se debruçado para responsabilizar os culpados pelo ataque golpista de 2023 e pela conspiração antidemocrática de 2022, terá sido jogado no lixo. Não será apenas a história repetindo sua tragédia em nova roupagem; será a comprovação de que, no Brasil, o autoritarismo já não precisa de baionetas para ameaçar a democracia — basta o aperto de mãos entre engravatados no plenário do Congresso.

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