O ENTREGUISTA: Após prometer submissão a Trump, Flávio Bolsonaro diz que Brasil vai se “alinhar” a Israel
Flávio Bolsonaro fez duras críticas a Lula da Silva durante discurso realizado ontem, na abertura da Conferência de Presidentes da América Latina, em Buenos Aires
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso realizado neste domingo (28), na abertura da Conferência de Presidentes da América Latina, em Buenos Aires. No evento, promovido pela Fundação dos Aliados de Israel (IAF) e pela organização Amigos Americanos dos Acordos de Abraão (Afoia), o parlamentar classificou Lula como "antissemita", defendeu uma profunda mudança na política externa brasileira e prometeu aproximar o Brasil de Israel e da Argentina caso vença as eleições presidenciais de 2026.
Entre as principais propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro estão a transferência da Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e a adesão do país aos chamados Acordos de Isaac, iniciativa diplomática liderada pelo presidente argentino Javier Milei e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Flávio Bolsonaro ataca Lula e volta a citar declaração sobre Gaza
Grande parte do discurso foi dedicada às críticas ao presidente Lula. Flávio Bolsonaro afirmou que o atual chefe do Executivo seria "antissemita", retomando a polêmica iniciada em 2024, quando Lula comparou a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto nazista.
Na ocasião, o presidente brasileiro criticou a operação militar israelense, que já havia provocado dezenas de milhares de mortes de palestinos, afirmando que o conflito representava um massacre contra a população civil. A declaração provocou forte reação do governo israelense e marcou o início de uma crise diplomática entre os dois países.
Mudança da embaixada para Jerusalém é uma das principais promessas
Durante sua participação na conferência, Flávio Bolsonaro reafirmou que, caso seja eleito presidente, pretende transferir a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém já no início de seu governo.
Segundo o senador, a medida simbolizaria um novo alinhamento da política externa brasileira com Israel. Ele também afirmou que, no primeiro dia de mandato, receberia oficialmente as credenciais de um novo embaixador israelense em Brasília.
A proposta, no entanto, envolve uma das questões diplomáticas mais delicadas do Oriente Médio. A maior parte da comunidade internacional mantém suas embaixadas em Tel Aviv por considerar que o status definitivo de Jerusalém deve ser definido apenas em futuras negociações de paz entre israelenses e palestinos.
"A partir de 2027, o Brasil voltará a ser mais irmão da Argentina do que nunca. E será também, com orgulho e sem o menor medo de dizer isso, irmão de Israel", declarou Flávio Bolsonaro.
Adesão aos Acordos de Isaac e aproximação com Milei e Netanyahu
Outro ponto central do discurso foi a promessa de integrar o Brasil aos Acordos de Isaac, iniciativa patrocinada pelos governos de Javier Milei, na Argentina, e Benjamin Netanyahu, em Israel, com o objetivo de fortalecer a cooperação política, econômica e diplomática entre Israel e países latino-americanos.
Flávio Bolsonaro elogiou a política externa israelense e afirmou que pretende construir uma relação estratégica com os dois governos, defendendo uma mudança de rumo na atuação internacional do Brasil.
Relações entre Brasil e Israel seguem abaladas desde 2024
As relações diplomáticas entre Brasil e Israel atravessam um período de forte desgaste desde as declarações de Lula sobre a guerra em Gaza.
Após a comparação feita pelo presidente brasileiro entre a ofensiva israelense e o Holocausto, os dois países retiraram seus respectivos embaixadores, em um gesto que simbolizou o rebaixamento das relações diplomáticas.
Desde então, o Brasil mantém apenas um encarregado de negócios em Tel Aviv, enquanto Israel designou Rasha Athamni para exercer a mesma função em Brasília, sem o envio de um novo embaixador.
Flávio também defende enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Falando em espanhol para representantes de diversos países latino-americanos, Flávio Bolsonaro também defendeu que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam oficialmente classificados como organizações terroristas.
Segundo o senador, as facções criminosas manteriam conexões internacionais com o Irã e com o Hezbollah. Para sustentar sua argumentação, lembrou que a Justiça argentina atribuiu ao Hezbollah, com apoio do governo iraniano, o atentado contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, ocorrido em 1992.
Flávio acrescentou ainda que investigações conduzidas pela Polícia Federal brasileira, com cooperação de serviços de inteligência de Israel e dos Estados Unidos, apontariam vínculos entre integrantes do Hezbollah e organizações criminosas brasileiras, especialmente em operações relacionadas ao tráfico internacional de cocaína e ao contrabando de armas.
Carta enviada aos Estados Unidos também gerou repercussão
O discurso em Buenos Aires ocorreu poucas semanas após outra iniciativa do senador envolvendo a política externa.
No início de junho, Flávio Bolsonaro encaminhou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, utilizando papel timbrado do Senado Federal. No documento, pediu que Washington não ampliasse as tarifas sobre produtos brasileiros e informou que, caso fosse eleito presidente, colocaria sua equipe de transição "à disposição" do governo norte-americano para acelerar um eventual acordo comercial entre os dois países.
Marco Rubio respondeu agradecendo a "oferta generosa", mas manteve a posição favorável às tarifas impostas ao Brasil.
Governo Lula critica postura de Flávio Bolsonaro
A iniciativa foi criticada por integrantes do governo federal, parlamentares da base aliada e setores da diplomacia brasileira, que consideraram a proposta incompatível com a tradição de autonomia da política externa do país.
Entre os críticos está o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que afirmou que a carta enviada aos Estados Unidos "escancara o tamanho da submissão" de Flávio Bolsonaro ao governo norte-americano.
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