O dia das rainhas na Sapucaí
Mayara Lima, Sabrina Sato, Virginia Fonseca e Viviane Araújo brilham na avenida
Sapucaí 2026: Destaques da Terceira Noite
A terceira noite do Carnaval 2026 na Sapucaí terminou nesta manhã, no Rio. Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro levaram à avenida enredos sobre ancestralidade africana, Heitor dos Prazeres, o Manguebeat e Rosa Magalhães, com alegorias grandiosas, homenagens e momentos marcantes.
O que aconteceu
A terceira noite de desfiles do Carnaval 2026 na Sapucaí, no Rio de Janeiro, foi encerrada na manhã de hoje com apresentações que uniram ancestralidade, memória cultural e homenagens a personalidades marcantes.
Paraíso do Tuiuti
A Paraíso do Tuiuti apresentou o samba-enredo “Lonã Ifá Lukumi”, propondo um intercâmbio cultural e religioso entre Brasil e Cuba. O desfile destacou a sabedoria ancestral do sistema oracular de Ifá e abordou a diáspora africana nos dois países.
O enredo mostrou como as tradições iorubás se consolidaram em Cuba por meio da religiosidade Lukumí — conhecida como Santería — a partir do século XIX. A escola levou à avenida um dos maiores carros abre-alas do Carnaval 2026, com cerca de 60 metros de extensão, segundo integrantes.
Na dispersão, a rainha de bateria Mayara Lima celebrou o resultado e afirmou estar feliz e realizada após mais um desfile marcado por garra e emoção.
Vila Isabel
A Vila Isabel apresentou o samba-enredo “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, em homenagem ao multiartista Heitor dos Prazeres, pioneiro do samba e das escolas de samba no Rio.
O desfile percorreu a trajetória do artista, evidenciando sua ligação com a cultura afro-brasileira e com as transformações culturais da cidade. Os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora estrearam pela escola.
O enredo trouxe referências às agremiações pelas quais Heitor passou, como Deixa Falar, Portela, Mangueira, Unidos da Tijuca e Vizinha Faladeira.
Antes do desfile, a rainha de bateria Sabrina Sato demonstrou confiança e afirmou que a escola tinha tudo para ser favorita, destacando o resgate do poder e do valor da comunidade na homenagem ao enredo.
Grande Rio
A Grande Rio levou à avenida o samba-enredo “A Nação do Mangue”, homenagem a Pernambuco e ao movimento cultural e musical Manguebeat.
O desfile traçou um paralelo entre os manguezais do Recife e as periferias da Baixada Fluminense, exaltando nomes como Chico Science, além de elementos como o maracatu, a fauna, a flora e a resistência social.
Virginia Fonseca estreou como rainha de bateria da escola e desfilou com um piercing dental com o número 7, em referência ao namorado Vinícius Júnior. Ela explicou que o número simbolizava a camisa usada por ele.
A passagem de Virginia pela Sapucaí também chamou atenção: houve tumulto em sua chegada à concentração; na avenida, repetiu a agachada que virou meme, retirou o costeiro de 12 quilos antes do fim da apresentação e foi aplaudida por Paolla Oliveira, ex-rainha de bateria da Grande Rio.
Salgueiro
O Salgueiro apresentou o samba-enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”.
O desfile foi uma homenagem lírica à carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em 2024. Mais do que uma biografia, a proposta conduziu o público por uma viagem ao universo imaginativo da artista.
As esculturas foram produzidas por profissionais do Caprichoso de Parintins. O último carro alegórico reuniu carnavalescos do Grupo Especial e da Série Ouro em tributo à homenageada.
Conhecida como “rainha das rainhas”, Viviane Araújo desfilou pelo Salgueiro pelo 18º ano e afirmou que, quando se ama o que se faz, sempre se encontra tempo para estar na avenida.
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