O cínico Ciro Nogueira é cúmplice de um projeto de sabotagem nacional
Ciro tenta transferir para o atual presidente a responsabilidade por um crime político e econômico que nasceu dentro do seu próprio campo ideológico
Por trás do discurso patriótico e das frases de efeito publicadas nas redes sociais, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) protagoniza mais um episódio de cinismo político que beira o deboche com a inteligência do povo brasileiro. Hoje, o ex-ministro de Jair Bolsonaro resolveu cobrar publicamente do presidente Lula uma “ação diplomática” para reverter as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Uma cobrança que, vinda dele, soa como insulto.
Ciro sabe — como todos sabem — que a origem do tarifaço está no submundo da política de chantagem orquestrada por Eduardo Bolsonaro e avalizada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos atuam como operadores da extrema direita internacional, não mais como políticos brasileiros. Eles não escondem seus objetivos: querem usar a economia brasileira como refém para obter anistia aos próprios crimes. É simples assim. As tarifas são uma moeda de troca. Se o Judiciário brasileiro recuar, se Alexandre de Moraes for punido, se Jair Bolsonaro for libertado das amarras judiciais, o Brasil poderá, quem sabe, escapar das punições norte-americanas. Essa é a barganha em curso.
E o senador Ciro Nogueira, ao invés de cobrar o verdadeiro responsável por essa crise — o grupo bolsonarista do qual é cúmplice —, prefere apontar o dedo para Lula. Tenta transferir para o atual presidente a responsabilidade por um crime político e econômico que nasceu dentro do seu próprio campo ideológico. Trata-se de um revisionismo de ocasião, típico de quem confia na amnésia coletiva e no enfraquecimento do senso crítico da população.
A pergunta que Ciro Nogueira deveria estar se fazendo, e fazendo publicamente, é outra: por que Eduardo Bolsonaro não está sendo investigado por alta traição? Por que Jair Bolsonaro, mesmo monitorado por tornozeleira eletrônica, ainda articula sabotagens contra o país? E mais: por que Ciro, senador da República, não tem coragem de exigir que seus aliados parem de usar o Brasil como escudo em seus projetos pessoais de impunidade?
O senador, que já foi envolvido em diferentes escândalos de corrupção — incluindo investigações que envolvem esquemas de apostas online e apostas ilegais, as chamadas bets —, parece não ter aprendido nada com o desgaste da política tradicional. Continua atuando com uma desenvoltura típica de quem jamais prestará contas a ninguém. O uso da tribuna digital para exibir uma indignação seletiva e cínica é mais uma tentativa de se reposicionar como “voz da razão” em meio à crise. Mas é uma encenação vazia, pois a plateia já conhece o script.
Ciro Nogueira aposta na memória curta, e subestima o povo do Piauí e do Brasil. O mesmo povo que sofre com os efeitos da taxação de Trump, articulada nos bastidores por brasileiros que hoje se autodeclaram exilados, mas que vivem confortavelmente nos Estados Unidos enquanto incendeiam pontes diplomáticas e destroem empregos em solo nacional.
Se há uma obrigação nesse momento, não é de Lula: é de Ciro Nogueira. A obrigação de romper de vez com o bolsonarismo. A obrigação de deixar de agir como cúmplice de um projeto de sabotagem nacional. E, sobretudo, a obrigação de não insultar a inteligência coletiva com discursos hipócritas.
Enquanto isso não acontecer, qualquer fala de Ciro soará como o que de fato é: mais uma peça de propaganda cínica de quem faz política para proteger seus próprios interesses — mesmo que isso custe a dignidade do país.
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