“No Kings”: protestos contra Trump reúnem milhões nos EUA e ampliam pressão antes das eleições de 2026
O aumento das manifestações indica que a oposição nas ruas deve continuar como um dos principais termômetros da crise política nos Estados Unidos
Milhões de pessoas foram às ruas neste sábado (28) em diversas cidades dos Estados Unidos em protestos contra o presidente Donald Trump. Os atos, que ocorreram de Nova York a San Francisco, refletem a crescente insatisfação popular com o que manifestantes classificam como uma guinada autoritária do governo e desrespeito às instituições democráticas.
A mobilização integra o movimento “No Kings” (“Sem Reis”), considerado hoje a principal frente de oposição a Trump desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025. Esta é a terceira grande onda de protestos em menos de um ano, consolidando o avanço da contestação popular ao governo republicano.
Guerra no Irã intensifica protestos contra Trump
O novo estopim para os atos foi a guerra no Irã, iniciada pelos Estados Unidos em parceria com Israel. A ofensiva militar, marcada por objetivos indefinidos e mudanças frequentes de estratégia, elevou o nível de insatisfação entre os americanos e ampliou a adesão aos protestos.
Na primeira manifestação do “No Kings”, realizada em junho de 2025, milhões já haviam participado. Em outubro, o movimento ganhou ainda mais força, reunindo cerca de 7 milhões de pessoas, segundo os organizadores. Para este sábado, a expectativa era de um público ainda maior, impulsionado pelo desgaste político do presidente.
Popularidade em queda e impacto nas eleições de meio de mandato
Com índice de aprovação em torno de 40%, Donald Trump enfrenta um cenário desafiador às vésperas das eleições legislativas de novembro. Analistas apontam que a intensificação dos protestos pode influenciar diretamente o resultado das eleições de meio de mandato, nas quais os republicanos correm o risco de perder o controle do Congresso.
Polarização política se aprofunda nos Estados Unidos
O cenário político americano segue profundamente dividido. De um lado, apoiadores do movimento “Make America Great Again” (MAGA) mantêm forte lealdade ao presidente. Do outro, cresce a rejeição entre setores que acusam Trump de governar por meio de decretos executivos, instrumentalizar o Departamento de Justiça contra adversários e enfraquecer políticas ambientais e programas de diversidade.
Críticos também destacam a postura mais agressiva na política externa, apontando contradições entre o discurso de campanha — centrado na promessa de paz — e a recente exibição de poder militar por parte do governo.
O aumento das manifestações indica que a oposição nas ruas deve continuar como um dos principais termômetros da crise política nos Estados Unidos ao longo de 2026.
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