Segurança Pública

No Ceará, governo tenta combater o "delivery do crime"

É frequente o uso de drones pelo crime organizado no sistema prisional do Ceará


Montegem: pensarpiaui No Ceará, governo tenta combater o "delivery do crime"
No Ceará, governo tenta combater o "delivery do crime"

Fortaleza e Região Metropolitana do Ceará se tornaram palco de um fenômeno que vem desafiando as autoridades: o uso de drones por facções criminosas para transportar itens ilícitos aos detentos. A chamada “logística aérea do crime” já foi responsável por diversas operações policiais e episódios de enfrentamento direto entre agentes de segurança e operadores desses equipamentos.

Na noite de 21 de novembro de 2024, a Polícia Federal, em parceria com a forças de Segurança do Estado, desmantelou uma célula criminosa especializada nesse tipo de transporte. As investigações revelaram que os drones eram utilizados durante a madrugada para levar smartwatches (relógio de pulso) com acesso à internet, carregadores e chips telefônicos destinados a integrantes de facções. A operação resultou em mandados de busca e apreensão, além da prisão de envolvidos em Fortaleza e Itaitinga.

Em outro episódio, agentes penais conseguiram derrubar a tiros um drone que sobrevoava a Unidade Prisional Professor José Jucá Neto, em Itaitinga. No equipamento, foram encontrados quatro smartwatches, dois carregadores, quatro cabos e três chips de celular, reforçando a suspeita de que esses dispositivos vinham sendo usados para manter os presos conectados e articulados com o crime fora dos muros.

As estatísticas revelam a dimensão do problema. Segundo balanços recentes, mais de 20 drones já foram abatidos ao tentar realizar entregas ilícitas em presídios cearenses. O método ganhou espaço no Brasil: desde 2018, já foram registradas mais de 700 ocorrências semelhantes em 20 estados.

A situação é ainda mais alarmante quando se observa a crescente ousadia dos criminosos. Em agosto de 2025, agentes penais prenderam quatro adultos e um adolescente flagrados controlando um drone próximo à Unidade Prisional Itaitinga 3. Com eles foram apreendidos drogas, um simulacro de arma de fogo e serras de grade, todos itens destinados a abastecer o crime dentro da cadeia. Em abril do mesmo ano, outro operador foi capturado em sua própria residência, onde cumpria pena monitorado por tornozeleira eletrônica. Na casa foram encontrados drones, celulares, smartwatch, armas e entorpecentes, revelando a profissionalização dessa modalidade de contrabando.

Diante desse quadro, o Governo do Ceará decidiu investir em tecnologia para combater o chamado “delivery do crime”. A Secretaria da Administração Penitenciária adquiriu um kit anti-drone de imediata resposta, avaliado em R$ 1,64 milhão. O equipamento, de fabricação australiana, passou por rigorosa avaliação técnica e é o único bloqueador de sinais de radiocomunicação homologado pela Agência Nacional de Telecomunicações. Trata-se de um sistema de uso exclusivo, fornecido por uma empresa com sede em Fortaleza, e destinado a reforçar a segurança nos presídios do estado.

A medida surge como resposta direta ao aumento expressivo das ocorrências. Se em 2024 haviam sido oito drones abatidos, em 2025 esse número mais do que dobrou, chegando a 19 casos até o mês de agosto. O investimento busca, portanto, antecipar a ação criminosa e evitar que equipamentos tecnológicos, drogas, armas ou ferramentas de fuga cheguem às mãos de detentos.


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