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Na maior festa dos EUA, latinos mandam recado ao regime Trump

Artista porto-riquenho protagoniza marco cultural no intervalo da final


Reprodução Na maior festa dos EUA, latinos mandam recado ao regime Trump
Na maior festa dos EUA, latinos mandam recado ao regime Trump

O show de intervalo do Super Bowl LX marcou um feito inédito ao ser apresentado integralmente em espanhol por Bad Bunny. Além do impacto musical, a performance levou mensagens políticas e culturais, exaltando a América Latina, criticando a extrema direita e defendendo diversidade, afeto e identidade.

O que aconteceu

No domingo (8), durante o Super Bowl LX entre New England Patriots e Seattle Seahawks, no Estádio Levi, na Califórnia, Bad Bunny protagonizou um dos shows de intervalo mais simbólicos da história do evento. Primeiro artista a se apresentar totalmente em espanhol, ele levou o latin trap e o reggaeton ao centro da maior vitrine do entretenimento dos Estados Unidos.

Mais do que música, a apresentação funcionou como um manifesto. Após citar países latino-americanos, o cantor enviou um recado direto à extrema direita norte-americana: “seguimos aqui”. Em poucos minutos, construiu uma celebração da diversidade como realidade irreversível e defendeu o afeto como resposta ao ódio, à desumanização e às deportações.

Em espanhol, apresentou-se ao público dizendo que só estava naquele palco por nunca ter deixado de acreditar em si mesmo, incentivando outros a fazerem o mesmo. Bad Bunny também homenageou trabalhadores de canaviais, criticou apagões recorrentes e o abandono governamental em Porto Rico, e exaltou a experiência coletiva da comunidade latina, representada por cenas familiares e intergeracionais.

Detalhes simbólicos reforçaram a mensagem: o número 64 em sua camisa, referência ao ano de nascimento de sua mãe; a entrega simbólica de um Grammy a uma criança, evocando sonhos futuros e denunciando políticas migratórias; e até um casamento encenado, como sinal de união em meio à divisão social.

Fora do estádio, protestos contra o trumpismo ecoaram o tom do espetáculo. Houve reação de grupos conservadores, que organizaram eventos paralelos e criticaram a escolha da NFL. Ainda assim, o impacto foi claro: independentemente do placar do jogo, o Super Bowl consagrou uma vitória cultural. A apresentação expôs o temor de setores racistas diante da diversidade e reafirmou o poder da música como ferramenta de identidade, resistência e transformação.

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