Saúde

MPF acusa produtores de intoxicar indígenas com agrotóxicos em RO

Ação acusa produtores de soja de contaminar aldeia Puruborá com agrotóxicos em Rondônia


Reprodução MPF acusa produtores de intoxicar indígenas com agrotóxicos em RO
MPF acusa produtores de intoxicar indígenas com agrotóxicos

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal contra dois produtores de soja e um proprietário rural acusados de contaminar indígenas da etnia Puruborá, em Seringueiras (RO), com agrotóxicos. O órgão pede R$ 3,6 milhões em indenizações, reparação ambiental e a suspensão do cultivo de soja e das pulverizações na área.

O que aconteceu

O MPF ajuizou uma ação civil pública contra o proprietário do Sítio Boa Esperança, Wanderson Batista de Moraes, e os produtores Raijan Cezar Mascarello e Vitor Hugo Talini Mascarello. Segundo a ação, sucessivas pulverizações de agrotóxicos em uma propriedade vizinha provocaram problemas de saúde em crianças, adultos e idosos da aldeia Aperoí, que relataram lesões graves na pele, dores de cabeça e náuseas.

De acordo com as investigações, a contaminação também atingiu o Rio Manoel Correia, utilizado pela comunidade indígena para abastecimento e alimentação. O MPF afirma que houve mortandade de peixes e prejuízos à subsistência das famílias da aldeia.

Os investigadores apontam ainda que foram abertas valas de drenagem sem autorização ambiental em áreas de preservação permanente, permitindo o escoamento de água contaminada para cursos d’água que desembocam no rio. Relatórios da Idaron e da Sedam identificaram irregularidades ambientais e autuaram os responsáveis.

Durante fiscalizações, foram encontrados resíduos de diferentes herbicidas, incluindo fosfeto de alumínio, considerado altamente tóxico. Os laudos indicam que cerca de 12% dos agrotóxicos identificados apresentavam elevado grau de toxicidade.

Na ação, o MPF pede R$ 2 milhões por danos morais coletivos à comunidade Puruborá, R$ 30 mil para cada morador da aldeia Aperoí e R$ 100 mil para cada integrante de uma família que deixou a residência após as contaminações. O órgão também solicita a proibição de novas pulverizações e do plantio de soja na área, além da recuperação integral das áreas degradadas.

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