Morre Hermeto Pascoal, o “Bruxo” da música universal, aos 89 anos
Tornou-se conhecido como “Bruxo” pela habilidade de extrair música de qualquer objeto — chaleiras, brinquedos ou mesmo sons da natureza
O compositor e multi-instrumentista Hermeto Pascoal, um dos nomes mais inventivos da música brasileira, morreu neste sábado (13), aos 89 anos, no Rio de Janeiro. A família confirmou a morte em nota publicada nas redes sociais oficiais do artista. Ele estava internado desde 30 de agosto no Hospital Samaritano Barra, em razão de complicações respiratórias provocadas por fibrose pulmonar. Segundo boletim médico, o quadro se agravou nos últimos dias e evoluiu para falência múltipla dos órgãos.
Nascido em 22 de junho de 1936 no povoado de Olho d’Água, em Lagoa Grande, município de Lagoa da Canoa (AL), Hermeto encontrou na música uma forma de expressão desde cedo. Albino, teve dificuldades para frequentar a escola, mas ainda criança já dominava instrumentos como piano, acordeon e flauta. Tornou-se conhecido como “Bruxo” pela habilidade de extrair música de qualquer objeto — chaleiras, brinquedos ou mesmo sons da natureza.
Sua discografia reúne álbuns de referência, entre eles A Música Livre de Hermeto Pascoal (1973), Slaves Mass (1977) e Hermeto Pascoal e Grupo (1982). Ao longo da carreira, trabalhou ao lado de nomes como Airto Moreira, Egberto Gismonti e Vinicius Dorin, consolidando uma obra que atravessou fronteiras e influenciou gerações de músicos. Celebrado também no exterior, Hermeto foi reverenciado por ícones do jazz norte-americano e se apresentou em grandes festivais internacionais, sempre sem abandonar as raízes populares brasileiras.
Mesmo na maturidade, manteve a vitalidade artística. Em 2024, lançou o álbum Pra Você, Ilza, dedicado à esposa falecida, trabalho que lhe rendeu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Jazz Latino/Jazz. No mesmo ano, foi publicada sua primeira biografia autorizada, Quebra Tudo — A Arte Livre de Hermeto Pascoal, escrita pelo jornalista Vitor Nuzzi, que detalha sua trajetória e sua concepção de “música universal”.
Em nota, a família pediu que a despedida seja marcada pela celebração, como o próprio Hermeto desejava. “Escutemos o vento, o canto dos pássaros, o copo d’água, a cachoeira. A música universal segue viva”, destacou o comunicado. O texto ainda convidou admiradores a homenagear o artista deixando soar uma nota, em qualquer instrumento, voz ou objeto, “oferecida ao universo”.
No instante de sua morte, relatou a família, o grupo de Hermeto estava no palco — “como ele gostaria: fazendo som e música”. Figura reverenciada no Brasil e no mundo, Hermeto Pascoal deixa um legado que transcende gerações, reafirmando-o como gênio da improvisação, da liberdade criativa e da música sem fronteiras.
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