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Michelle se lança como sucessora do Bolsonaro e desafia clã

Disputas internas do clã Bolsonaro se intensificam, com Michelle ganhando destaque digital e político frente a Flávio e Eduardo.


Reprodução Michelle se lança como sucessora do Bolsonaro e desafia clã
Michelle se lança como sucessora do Bolsonaro e desafia clã

Um dia depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar a possibilidade de disputar a Presidência para enfrentar Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) no campo da direita, Michelle Bolsonaro (PL) utilizou o perfil do PL Mulher, presidido por ela, para se apresentar como a “principal sucessora” de Jair Bolsonaro (PL), aprofundando a tensão com os enteados.

Flávio teria divulgado sua intenção de ser o candidato presidencial do clã após a primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acolher a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), transformando Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em réu por coação.

A decisão de Flávio teria sido tomada durante visita ao irmão, que estaria envolvido em ações contrárias ao Brasil a partir dos EUA. Eduardo, por sua vez, já demonstrava insatisfação com a aproximação de Tarcísio à chamada “terceira via” — aliança entre Centrão, mídia liberal e Faria Lima — chegando a classificar o governador paulista como “candidato do sistema”.

No sábado (15), Michelle Bolsonaro publicou nos stories do Instagram do PL Mulher postagens que a colocam como a “principal sucessora” de Bolsonaro, divulgando pesquisas que indicam desempenho superior ao dos filhos do ex-presidente.

Em uma das postagens, o PL Mulher cita reportagem da Veja afirmando que “Michelle supera filhos de Bolsonaro e assume o trono digital do clã”, com base em dados da Ativaweb que a apontam como “a maior força digital do clã Bolsonaro no Instagram”.

Segundo o texto, “ela possui 7,6 milhões de seguidores, superando Eduardo (7 milhões), Flávio (6,1 milhões) e Carlos (3 milhões). A pesquisa indica que Michelle se tornou o ‘coração digital da direita’, com público majoritariamente feminino (69%), elevado engajamento e forte apelo emocional”.

Outra publicação do PL Mulher reproduz entrevista do ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (PL-PB), que a compara à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, figura cultuada por neoliberais de diferentes matizes, da ultradireita à centro-direita.

Queiroga afirmou: “Margaret Thatcher era uma dona de casa chamada à política e se tornou uma primeira-ministra extraordinária. Junto com Ronald Reagan e o Papa João Paulo II, derrubou a Cortina de Ferro. Michelle Bolsonaro é uma liderança feminina forte. Desde 2023, transformou o PL no partido das mulheres do Brasil”.

Michelle também compartilhou pesquisa do Instituto Gerp, de 7 de novembro, que a coloca, junto a Tarcísio, como uma das principais candidaturas para derrotar Lula em 2026. Segundo a Jovem Pan, “Michelle Bolsonaro se consolida como principal sucessora política do ex-presidente”. O levantamento indica que a ex-primeira-dama alcança 30% das intenções de voto no primeiro turno e aparece em empate técnico com Lula no segundo, com 47% a 44%.

Tensão na direita

As postagens de Michelle devem intensificar o racha na direita, que enfrenta dificuldades para consolidar Tarcísio Gomes de Freitas como única alternativa a Lula.

Após Flávio vazar à Folha de S.Paulo a intenção de enfrentar o governador paulista, o olavista Silvio Grimaldo criticou a dependência do bolsonarismo em relação ao “sistema”. “A candidatura de Flávio só é possível se ele for o candidato do sistema. Cem por cento do sistema. Nadando no sistema. Chuveirinho sistema”, ironizou.

Grimaldo comentou também declaração de Paulo Figueiredo, aliado do clã nos EUA, sobre a possibilidade dos Bolsonaro lançarem candidatura. “Flávio ou Eduardo pouco importa. O que importa é uma candidatura que realmente represente nosso movimento, e não algo definido pelo Centrão e pelo STF, que fazem Jair Bolsonaro refém.”

Segundo Grimaldo, a realidade política é diferente: “Ninguém vence esta eleição sem o apoio do grupo que Eduardo ajudou em SP em 2024: Temer, Tarcísio, Kassab, Moraes, Gilmar…”.

Eduardo Bolsonaro e o “poster boy” do sistema

Grimaldo recorda que a relação do clã com o “sistema” foi reforçada em 2024, durante a candidatura de Ricardo Nunes (MDB) à prefeitura de São Paulo, em que Eduardo Bolsonaro atuou como “poster boy”. Ele relembra a polêmica envolvendo Joyce Hasselmann, rival histórica de Eduardo no PSL, e como Eduardo teve que intervir para recuperar a base bolsonarista em São Paulo, garantindo os votos ao candidato do sistema.

“Nunes não era apenas candidato do sistema, ele era o sistema. Representava Tarcísio, Temer, Kassab, Baleia Rossi e Moraes”, afirmou Grimaldo, destacando a articulação entre Centrão e terceira via contra Lula.

O olavista também ironizou o isolamento do filho “03” de Bolsonaro, Eduardo, afirmando que ele só se candidatou à Câmara por São Paulo porque o “sistema” prometeu uma vaga no Senado em troca do apoio. Grimaldo ressaltou que Eduardo mantém controle sobre a militância radicalizada do bolsonarismo.

Para Grimaldo, a eleição de Nunes foi um ensaio para 2026. Ele conclui que, apesar das disputas internas e ataques retóricos, o clã Bolsonaro acabará apoiando o candidato do sistema — seja Tarcísio, Ratinho ou outro — na corrida presidencial contra Lula.

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