Medo do metanol muda hábitos e esvazia bares paulistanos
Após mortes e internações por bebidas adulteradas, bares em SP enfrentam queda no público, reforçam segurança e tentam reconquistar a confiança dos clientes.
O primeiro fim de semana após a série de mortes e internações provocadas por bebidas adulteradas com metanol tem sido marcado por apreensão entre donos de bares e restaurantes de São Paulo. Até o momento, o estado já contabiliza 41 casos sob investigação, sendo 11 confirmados e seis óbitos suspeitos. O tema ganhou as ruas e se tornou pauta entre consumidores, que agora estão mais cautelosos na hora de pedir uma bebida.
Em bairros boêmios como Itaim Bibi, Vila Olímpia e Barra Funda, a preferência tem sido por cervejas, espumantes e latas, enquanto destilados vêm sendo evitados. Muitos clientes pedem para ver a garrafa antes de consumir, e garçons tentam tranquilizar os frequentadores. A Vigilância Sanitária já interditou estabelecimentos, como o Beco do Espeto, e empresários relatam queda no movimento.
No bar Motirô, a clientela caiu pela metade e os drinques deram lugar à cerveja. No tradicional Bar do Juarez, o fluxo foi mantido graças ao cardápio variado, mas os funcionários confirmam que o chope se tornou a escolha mais comum. O Amarelinho, por sua vez, fixou um aviso na entrada reforçando a procedência das bebidas para conter rumores.
Outros bares, como o Boca de Ouro, em Pinheiros, também sentiram os impactos. “Os distribuidores já mandaram comunicados atestando a procedência dos produtos”, contou Renato Martins, sócio do estabelecimento, ao jornal O Globo. A estratégia de informar os clientes vem sendo adotada também por casas renomadas como Blue Note SP, Casa de Francisca e Holy Burger.
O Grupo Alife Nino, responsável pelos bares Boa Praça e Ninno, afirmou que todas as bebidas são adquiridas exclusivamente de distribuidores oficiais, com nota fiscal e selo de autenticidade. No bar OH LÀ LÀ, a gestão decidiu disponibilizar as notas fiscais diretamente no local para comprovar a origem dos produtos.
Entidades do setor têm reforçado que os casos de adulteração não envolvem bares regulares. “A expectativa é de manutenção do movimento, com funcionamento normal em todo o país”, disse Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel Nacional, destacando que a região metropolitana de São Paulo foi a mais afetada, com algumas casas fechando preventivamente.
A Fhoresp cobrou mais fiscalização contra falsificadores. “A maioria dos bares atua corretamente, mas também pode ser vítima ao receber bebidas adulteradas. Se as autoridades não agirem com rigor, vidas seguirão em risco”, alertou Edson Pinto, diretor-executivo da entidade.
A Abrasel-SP classificou a crise como um caso de saúde pública. A entidade orientou donos de bares e consumidores a desconfiarem de preços muito baixos e reforçou cuidados como comprar apenas de fornecedores legalizados e destruir garrafas vazias para evitar o reaproveitamento por criminosos.
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